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Troque o sal das lágrimas pelo sal do mar

Sim, é necessário chorar, lamentar, cair fundo na escuridão de nossas tristezas, para que enfrentemos o que restou de nós após as ventanias emocionais e juntemos forças para recomeçar. Fugir ao enfrentamento de nossas derrocadas será sempre inútil, pois então caminharemos pela metade, agarrados a meias verdades. Porém, demorar-se além da conta nos terrenos sombrios das decepções e do alquebramento é perigoso, pois poderemos estar fadados a uma viagem dolorosa e interminável, que nos cegará frente ao reinício do semear que a vida nos disponibiliza diariamente.

Mesmo que pareça impossível, teremos que conseguir recobrar um pouco de lucidez, em meio ao maremoto sentimental que nos avassala, no sentido de iniciarmos a reflexão sobre as causas daquilo tudo, entendendo nosso papel ativo nos determinantes de nossa vida. É preciso que consigamos assumir nossa imensa parcela de culpa nos reveses que nos chegam, para repensarmos nossas atitudes e valores, aprimorando nossa visão de mundo.

Nunca é tarde para mudar, principalmente com o propósito de melhorar a nossa qualidade de vida, de reiniciarmos a caminhada a partir de perspectivas mais saudáveis e edificantes. Mudar para melhor deverá ser a tônica que rege os nossos passos, para que vislumbremos novas saídas, mais eficazes e verdadeiras. É assim que vamos crescendo, amadurecendo e nos tornando mais humanos, mais felizes, mais gente. Errar e decepcionar-se sempre será algo a ser valorizado, pois os tombos fortalecem e ensinam com lições valiosas e imprescindíveis ao nosso desenvolvimento pessoal.

Teremos que encontrar forças para tomarmos atitudes, para agir, sem nos entregarmos passivamente à angústia, à ausência de possibilidades e oportunidades, pois elas são muitas e estão bem à nossa frente. Precisaremos reunir a coragem necessária para sairmos de nossa comiseração pessoal e estender nosso campo de visão para além do nosso eu, uma vez que nunca estaremos sozinhos em nossa jornada. Essa compreensão de que existe quem acredita em nossos sonhos e permanece ali juntinho, vivendo verdadeiramente ao nosso lado, será vital ao nosso reerguimento.

Iniciar um novo emprego, aprender uma língua exótica, partir de mala e cuia para uma praia deserta, engatar encontros às escuras, experimentar comidas diferentes, comprar aquela roupa cara, buscar novas amizades, novos redutos, novos amores, não importa como, sempre teremos um amplo leque de oportunidades nos esperando de portas abertas, estendendo-nos as mãos incansavelmente. Que estejamos, enfim, prontos para recomeçar, a qualquer tempo, onde for, jamais perdendo as esperanças, jamais deixando de querer amar. Porque o amor é mais forte do que tudo, mais forte até do que a morte. Porque o amor é o que fica e nos resgata, quando tudo o mais estiver perdido.

Prof. Marcel Camargo

Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família.

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