Recentemente, uma nova pesquisa realizada pela Hebrew University of Jerusalem trouxe descobertas promissoras sobre compostos presentes na cannabis e seu possível impacto na saúde do fígado.
Segundo o estudo, algumas substâncias da cannabis podem ajudar a melhorar o funcionamento do órgão e reduzir o acúmulo de gordura.
A pesquisa, que foi publicada no British Journal of Pharmacology, indica que dois compostos específicos da cannabis podem contribuir para combater uma doença que afeta milhões de pessoas no mundo.
Compostos da cannabis analisados no estudo
Os pesquisadores investigaram dois componentes não psicoativos da planta:
Essas substâncias não provocam o efeito psicoativo associado ao Tetrahydrocannabinol (THC), composto responsável pela sensação de “barato” da cannabis.
Atualmente, o CBD já é estudado e utilizado em algumas terapias relacionadas à ansiedade, inflamação e distúrbios do sono. O novo estudo sugere que ele também pode ter impacto positivo no metabolismo do fígado.
A pesquisa se concentrou na Metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease (MASLD), uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no fígado.
De acordo com os dados citados por estudos do National Institutes of Health, essa doença pode afetar cerca de um terço da população adulta mundial.
A condição está frequentemente associada a fatores como:
Quando não tratada, a doença pode evoluir para problemas mais graves no fígado.
De acordo com os pesquisadores da Hebrew University of Jerusalem, o CBD e o CBG demonstraram capacidade de melhorar processos metabólicos importantes no fígado.
O estudo identificou que esses compostos podem estimular um processo chamado remodelação metabólica, que ajuda o órgão a funcionar de forma mais eficiente.
Entre os efeitos observados estão:
Segundo o pesquisador Joseph Tam, os resultados revelam um novo mecanismo pelo qual esses compostos podem melhorar o metabolismo hepático.
Apesar das descobertas animadoras, os cientistas ressaltam que mais estudos ainda são necessários, especialmente em humanos, para entender como esses compostos podem ser utilizados em tratamentos médicos.
Outro ponto importante é que os resultados não significam que o uso recreativo da cannabis trará os mesmos benefícios.
Pesquisas conduzidas pela McMaster University, publicadas no The Canadian Journal of Psychiatry, apontam que o consumo de cannabis com alto teor de Tetrahydrocannabinol (THC) pode estar associado a maior risco de ansiedade, depressão e outros problemas de saúde mental.
A cannabis e seus compostos vêm sendo estudados cada vez mais pela ciência. Embora alguns resultados sejam promissores, especialistas reforçam que o uso terapêutico deve sempre ser avaliado com base em evidências científicas e acompanhamento médico.
Com novas pesquisas em andamento, os cientistas esperam entender melhor como essas substâncias podem contribuir para tratamentos seguros e eficazes no futuro.
Imagem de Capa: Canva
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