Autores

O “EU TE AMO” mais sincero que existe é dito com atitudes

As palavras nos dizem o tanto que somos queridos. Ah, mas as atitudes é que nos comprovam o quanto somos amados.

Minha mãe foi o amor mais puro e límpido que eu tive até hoje, porque a reciprocidade era constante, diária, minuto a minuto. Meu filho às vezes me odeia, mesmo que da boca para fora, ao passo que minha mãe só me amou. Ela não costumava verbalizar as palavras “eu te amo”, mas eu senti seu amor por todo o tempo em que estivemos juntos, nos pratos que ela preparava, nas músicas que ela me ouvia tocar ao piano, na sua presença em minhas audições, em minhas formaturas, na sua companhia assistindo a filmes de época.

Meu pai sempre foi mais sério, pouco afeito a aproximações físicas. Ele também não falava “eu te amo”, mas hoje sei que me amou, quando insistia que eu escrevesse em revistas e jornais, quando me telefonava após uma derrota do Corinthians, através dos limites que me dava, dos horários que me fazia cumprir, daquele olhar de autoridade e força, daquelas suas mãos sob minha testa nas madrugadas febris de minha infância.

Tenho amigos que raramente encontro, porém, sempre me mandam mensagens virtuais, perguntam como estou, comentam acontecimentos, felicitando-me em meu aniversário, no dia dos pais, no Natal e no Ano Novo. Meu melhor amigo da infância e eu, inclusive, embora não consigamos nos ver no dia a dia, sempre telefonamos um ao outro no dia de nossos aniversários. É assim que nossa ligação não morre.

Amo cães, desde criança, e me tornei apaixonado por gatos há uns dois anos, desde que caiu uma gatinha fofa no meu quintal, a qual me conquistou e me ensinou a amar sem dominar.

Nossos peludos não dizem uma palavra, mas gritam que nos amam enquanto vivem junto conosco, esperando-nos chegar, todo dia, toda vez, aconchegando-se perto de nós, olhando-nos com aqueles olhinhos profundos e lotados de afetividade, amando-nos como e onde estivermos, com verdade e ternura.

Amar é disposição, comprometimento, lealdade e sinceridade. Ninguém precisa ficar dizendo e escrevendo “eu te amo” para que o outro se sinta amado. O que nos faz vivenciar o amor são atitudes, comportamentos, demonstrações afetivas que impliquem importar-se com o outro.

Porque o “eu te amo” mais sincero que existe é dito com atitudes. Simples assim.

Prof. Marcel Camargo

Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família.

Recent Posts

Quantos rostos você consegue ver nesta árvore? Não existe resposta certa — e isso diz muito sobre como você enxerga o mundo

À primeira vista, é só uma árvore comum, com galhos secos e uma copa ampla.…

2 dias ago

“Não tenho tempo! Ele está na escola, então o problema é seu”: professora revela frustração com pais que não desfraldam os filhos

Uma professora primária do sul da Inglaterra decidiu desabafar ao jornal britânico Daily Mail sobre…

2 dias ago

Você se lembra dela? Ela virou sensação nos anos 60 com um programa de TV e, décadas depois, ainda brilha ao lado da própria filha no Oscar

Tem rostos que atravessam gerações sem perder o brilho. Esse é um deles: uma atriz…

2 dias ago

Aos 81 anos, essa atriz nunca recorreu a cirurgia plástica e segue ativa em Hollywood — e é madrinha de uma estrela mundialmente famosa. Você sabe quem é?

Existem carreiras que atravessam décadas sem perder o brilho, e existem atrizes que encaram o…

3 dias ago

Ele foi um dos maiores ídolos teen dos anos 80 — e morreu na pobreza depois de tentar vender os próprios dentes e cabelo. Você lembra dele?

Nos anos 80, era impossível não reconhecer aquele rosto. Poucos anos depois, o mesmo ator…

3 dias ago