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O duro é quando tentamos ajudar e saímos como o malvado da história

Uma das lições mais amargas que teremos de aprender é a de que nem todo mundo será grato e, pior, alguns ainda usarão de nossa solicitude contra nós mesmos. Por mais que tentemos ajudar, por mais que aconselhemos, por mais que estejamos dispostos, haverá quem simplesmente se negará a sair do buraco onde estiver, culpando todos à sua volta pelos problemas que ele próprio causou.

Ocasionalmente, quando uma pessoa de quem gostamos estiver passando por alguma situação desagradável, por algum problema, e tentarmos ajudá-la de alguma forma, pode ser que sejamos mal interpretados, que nossas reais intenções venham a ser deturpadas. Teremos que enfrentar a ingratidão e palavras injustas justamente de quem tentamos socorrer, de quem muito estimamos.

Isso porque ninguém é capaz de ajudar alguém que se nega a receber ajuda, ou seja, deverá sempre partir de nós mesmos a iniciativa de sair daquilo que nos desagrada, de tudo o que nos faz mal. Somente quando tivermos a consciência de que muito do que nos ocorre é consequência também de nossas atitudes, do que escolhemos ou não ao longo de nosso caminhar, é que estaremos prontos para sermos socorridos.

Por outro lado, quando culpamos todos à nossa volta, o mundo e o universo, como os causadores de nossas dores, como se fôssemos meros joguetes nas mãos de terceiros, estamos fugindo à nossa parcela de responsabilidade sobre nossas próprias vidas. Dessa forma, incapazes de assumirmos o que nos cabe, incapazes seremos de aceitar, de ouvir, de enxergar o que vem de fora de nós, centrados que estaremos em nosso próprio umbigo.

Nesse contexto, fatalmente nos veremos enredados no jogo de culpas de que a pessoa se utiliza para se livrar do próprio peso, jogando contra nós uma carga de responsabilidades que não são nossas. Então, ela fará de tudo para virar o jogo, fazendo com que nós é que passemos a ser um dos causadores de suas misérias, um dos malvados que agiram para que ela se encontrasse naquela situação, uma vez que é assim que sua consciência se livra do que não aceita, do que recusa a assumir.

Não poderemos nos negar a levar ajuda às pessoas que se encontram em situações difíceis, somente porque não gostaríamos de ser mal interpretados, pois nossos princípios são mais fortes do que isso. Caso sejamos vítimas desse tipo de situação, teremos que ser pacientes e deixar que o tempo, como sempre o faz, traga as verdades e torne tudo claro. Quanto aos ingratos, permanecerão enclausurados nas próprias cavernas, enquanto não aceitarem o enfrentamento de si mesmos.

Prof. Marcel Camargo

Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família.

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