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“Não é preciso entrar para a história para fazer um mundo melhor”

“Não é preciso entrar para a história para fazer um mundo melhor”

As pessoas rudes são vistas no mundo inteiro como desagradáveis, todos querem distância.

Cafeterias nos Estados Unidos, na França e no Brasil acharam um jeito de lidar com esse tipo de gente, oferecendo descontos aos clientes, que falarem “bom dia, “obrigado”, “por favor”.

Será que essa estratégia daria certo em nossos dias?

Vivemos num mundo onde a competição e a ganância deixam as pessoas agressivas, pois ser gentil é uma arte esquecida nestes tempos conturbados.

Porém, se a gentileza for feita com o coração, é capaz de evitar as dores cotidianas causadas por rispidez e mau humor, porque ninguém nasceu para causar mal-estar aos outros.

A gentileza é a essência do ser humano.

Quem não é suficientemente gentil não é suficientemente humano, uma vez que o humano em nós está em permanente construção.

Ser gentil garante uma convivência equilibrada nas relações humanas.

Como faz bem as palavras: “Que bom revê-lo!” ou “Tudo bem com você?”

Não é a educação que deixa uma pessoa gentil.

Gentileza é um modo de pensar, de ver o mundo, uma atitude que vai além do que definem os códigos de bom comportamento.

Para ser gentil não precisa de atitudes grandiosas.

É como afirmou Mahatma Gandhi: “Não é preciso entrar para a história para fazer um mundo melhor.”

A diferença entre uma pessoa fraca e uma pessoa gentil: a fraca reage, grita, revida, vinga-se, perde a razão.

A gentil é flexível, espera o momento certo para agir, trata o semelhante com afeto, contudo, defende seus direitos com firmeza, e sabe colocar limites sem perder a racionalidade.

Não é gritando que vamos mostrar que temos razão.

Nossos valores que devem ser elevados e não o nosso tom de voz.

É possível dizer não sem mostrar raiva e podemos defender nossas opiniões com firmeza, bem como é possível criar novas maneiras de agir nos lugares em que pode predominar a gentileza.

E não precisamos reproduzir as velhas atitudes: “bateu, levou”, “olho por olho” ou algo do gênero.

São essas posturas que transformam um mundo num lugar ameaçador de se viver.

Mas quando impera a grosseria na família, no trabalho, na escola entre outros ambientes fica muito difícil a convivência, gerando um círculo vicioso de tensão, que somatiza doenças no corpo e na mente.

Portanto, a prática da gentileza contribui para transformar o mundo num lugar mais gentil, e também nos ensina, como disse Khalil Gibran:

“Aprendi silêncio com os falantes, tolerância com os intolerantes e gentileza com os rudes. E, ainda assim, estranho, sou ingrato a esses mestres.”

*Foto de Pratik Chauhan no Unsplash

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Jackson César Buonocore

Sociólogo e Psicanalista

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