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Gostoso mesmo é gostar de quem gosta da gente

Se pudéssemos ter a noção exata do tempo perdido, em nossas vidas, com gente que não se digna a responder de volta um nada que seja, e com coisas inúteis e impossíveis de ocorrerem, talvez parássemos de vez com essa mania que a muitos acomete de correr atrás do que não virá, valorizar o que não nos pertence, mendigar atenção de quem não nos enxerga. Porque isso equivale a patinar no gelo do vazio: só esgota energia e não soma nada a ninguém.

Vai saber por que tantas pessoas focam a vida justamente em tudo e em todos que as rejeitam, esquecendo-se de lutar para manter junto o que e quem já são certezas, já são amores correspondidos, já estão ali. Vai saber o quanto tantas pessoas se sentem menores e diminutas, indignas de reciprocidade, de afeto sincero, de verdade enfim. Parece que a rejeição se instala tal qual um vírus de difícil combate, acabando com a saúde da pessoa, tornando-a triste, indisposta, e com a autoestima em frangalhos.

Parece que a gente reluta em ser feliz, como se não houvesse felicidade possível longe daquilo que está distante, como se não fôssemos conseguir viver sem o amor daquele que nos nega retorno, como se a gente fosse um nada, não tivesse nada, não conseguisse nada. Realmente, ninguém é capaz de nos fazer tão mal quanto nós mesmos. Ninguém é capaz de nos diminuir tanto quanto nós mesmos. Porque, em grande parte, somos nós que consentimos com essa miséria emocional toda que nos assola.

Não conseguiremos gostar de todo mundo que gosta de nós, não teremos simpatia por todas as pessoas que simpatizarem conosco, porque afeto ninguém explica direito; tem gente que nunca fará parte de nossos corações, por mais que tentemos. Mesmo assim, é preciso olhar mais para perto, enxergando aqueles que já estão em nossos caminhos, valorizando o que faz parte de nossas conquistas, porque somos alguém, sim, que merece ser feliz, ser valorizado, ser visto, ser amado.

Enquanto fitarmos somente o horizonte de possibilidades distantes, deixando tudo o que já está ao nosso lado em segundo plano, jamais conseguiremos alcançar a felicidade. Enquanto insistirmos em quem não está nem aí para o que somos, jamais acolheremos amor verdadeiro em nossos corações. Vá ser feliz agora, porque o depois demora muito!

Prof. Marcel Camargo

Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família.

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