Para morte não existe saída, devemos deixar ir quem não pode mais voltar. Tudo que é vivo, morre. Uma verdade simples, mas que fica oculta até que a morte apareça concreta, fria, bem de frente do nosso nariz.
Tudo ao nosso redor um dia irá morrer.
Nada material dura, apenas aquilo que ele representou para os que tiveram a graça de sua interação.
As coisas, os bichos, as plantas e os humanos. As ideias, os projetos, os sonhos, as imagens de nós mesmos. Todos dentro da mesma caixinha, a morte.
Lidar com a morte vivendo ao lado de uma criança feliz, é algo estranho. Ela é pura vida. Ela é alegria, luz, vibração. Ela deixa ir.
E ela, cuida da morte. Fala sobre, pergunta, questiona, enterra pequenos animais, interage com o que já foi de forma presente. Zela, e deixa para lá.
Como vive em presença, sabe que tudo que é vivo, morre. Simples assim.
E eu, adulta, quadrada e controladora, ainda desejo manter o que já foi.
Para abrir espaço para que a morte aconteça e floresça, para que ela ocupe um lugar no passado, na história, na memória, para que ela faça o seu papel, é preciso aceitá-la e compreendê-la.
É preciso confiar no que vem depois. Na natureza perfeita que tudo recria.
Querido Desconhecido, deixe ir quem não pode mais voltar.
Apenas hoje, apenas por um instante, deixe ir.
Olhe para a morte como um bom amigo. Escreva sobre ela e suas saudades.
Permita que vá. E siga além. Siga com a mala vazia e o coração cheio de amor.
Siga, mesmo sem saber o caminho, dando um passo de cada vez.
Assim, dos buracos nascidos o seu peito surgirão borboletas prontas para um novo voo.
Com amor,
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