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“Eu não via o mundo assim, meu amigo, como agora eu vejo.

Eu costumava acreditar que as pessoas eram boas e sorriam de verdade.

Quando o conheci, ainda enxergava o mundo com bons olhos.

Com o passar dos anos, comecei a perceber que nem todos eram iguais. Como se a maldade das novelas não fosse mera ficção, e sim o espelho de uma realidade, que eu insistia em não perceber.

Em lugares desconhecidos, acreditei ter conhecido a maldade. A inveja, a cobiça, o orgulho, a raiva e a mais pura arrogância.

Quebrei a cara, eu sei e você também sabe. Quantas vezes você me aconselhou? “Siga o seu coração, Ana Carolina, mas lembre-se: nem todos são iguais a você”.

Eu demorei a entender, eu sei, pois agora eu vejo.

Depois de ter sofrido e crescido, entendi que as pessoas nem são más de verdade, mas o medo que elas sofrem é que as tornam assim. A sensação de ameaça parece colocar o ser humano em estado de alerta.

Será que meu marido vai me trair? Então, odeio as mulheres. Será que vou perder meu emprego? Então passo por cima dos colegas. Será que ficarei sem dinheiro? Então, não meço as consequências, para adquirir o máximo que posso. Não serei eu o melhor, o mais inteligente e bem-sucedido? Então, eu me torno arrogante, provando quem eu sou.

Pois é, meu grande amigo. Num mundo cheio de máscaras, talvez não seja o mal por trás delas. Gosto de pensar que é apenas imaturidade, medos e incertezas.

Será que um dia não fomos assim?

É certo que sim. Erramos tantas vezes, sem saber. Mas a falta de caráter e algumas inconstâncias do ser humano, por certo, me feriram a alma.

Percebi que a vida é assim: se num dia poderia me tornar importante para alguém, também no dia seguinte, poderia voltar a ser desimportante.

Num mundo onde o desapego ao próprio ser humano está na moda, entendi que esse discurso nada mais é do que uma defesa covarde, de quem prefere o descarte e a soberba.

É por você, meu amigo, que agora eu escrevo.

Por você, que sempre esteve ali, mesmo quando longe. Pela imensa fé e confiança que sempre pude ter em sua amizade. Pelas intensas qualidades que me mostrou e que ainda me permitem acreditar que o ser humano pode ser melhor do que é hoje.

Fica em mim a gratidão, de ter me dado tanto, sem nunca ter pedido nada em troca. Por ter me aceitado como eu sou, com as qualidades e defeitos e toda a imaturidade e inocência da maldade alheia, a qual você me alertava.

Enquanto tantos chegam e se vão, você sempre se fez aqui. Seus conselhos e sorriso ficam como um guia. Para que eu possa ainda acreditar na boa intenção das pessoas e em possíveis amizades como a sua.

Pela raridade de seu ser e de tudo o que aprendi. Pela gentileza absoluta e o tom de voz amável, fica a saudade e um vazio a ser preenchido.

Quem dera pudesse voltar o tempo e entender, lá atrás, quem entrava em minha vida. Se soubesse, talvez tivesse me feito mais presente. Embora sem saber, os risos tenham sido tão leves e fartos, tornando a vida naquela época igualmente leve e boa.

Mas assim é a vida. Há de se sentir a dor para aprender.

Amigos e pessoas como você se contam nos dedos. Vá em paz!

Em memória de Wolfgang Patzlaf

Carolina Vila Nova

Brasileira, 41 anos, formada em Tecnologia em Processamento de Dados, pós-graduada em Gestão Estratégica de Pessoas. Atua numa multinacional na área administrativa como profissão. Escritora, colunista e roteirista por paixão. Poliglota. Autora de doze livros publicados de forma independente pelo Amazon, além de quatro roteiros para filme registrados na Biblioteca Nacional. Colunista no próprio site www.carolinavilanova.com e vários outros. Youtuber no canal Carolina Vila Nova, que tem como objetivo divulgar e falar sobre as matérias do próprio site.

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