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Querer viver um grande amor, não nos dá o direito de amar qualquer um

Por mais que você queira viver um grande amor, migalhas de afeto e sobras de atenção não devem ser aceitas em hipótese nenhuma. Nada do que não é dado livremente nos interessa. Não lhe dá o direito de amar qualquer um.

Agir por impulso, tomar decisões em estado de carência e considerar que “qualquer amor serve” é o mesmo que dar um tiro no próprio pé. Algumas pessoas acreditam que, após certa idade, precisam carregar o rótulo de relacionamento sério a todo e qualquer custo. Para tanto, aceitam viver relacionamentos destrutivos, perigosos e mornos e tentam, a cada sofrimento, se convencer que o parceiro irá mudar.

Longe de mim julgar os sentimentos alheios ou a forma de amar de cada um. Apesar de acreditar em um amor realista, baseado no companheirismo e na fidelidade, com doses extras de bom humor, respeito quem acredite que o amor se consolida como um roteiro de novela mexicana.

O grande problema é que, indiferente de como é definido, o amor não pode estar aliado à sensação de sofrimento, de perda e de insegurança.

Considerar a ideia de que “todo grande amor só é grande se for triste”, como dizia Vinícius de Moraes, é menosprezar a verdadeira essência do sentimento. Amor sofrido na Literatura é bonito, na vida real é loucura.

Quando lhe ensinaram que “o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” não estavam se referindo a um amor doentio, desgastante e problemático. Referiam-se a um amor forte o suficiente para superar os desafios impostos pela vida e, provar para os envolvidos (casal), que o sentimento é mais forte que a dor. Somente isso! Não deixe seu romantismo adocicado confundir as coisas, não.

Não dá para conviver com inconstância, agressividade e traições, achando ser normal. Não dá para fazer planos de casamento com quem não o apresenta para família. Não dá para falar que é namoro, o antigo relacionamento é pauta de toda discussão. Não dá para fazer votos de fidelidade, se o relacionamento começou com uma traição. Simplesmente, não dá!

Infelizmente, temos a mania de acreditar que precisamos do romance para que o amor se consolide. Valorizamos mais um “eu te amo” do que uma prova de fidelidade.

Valorizamos demonstrações de afeto mais do que a presença do outro em casa. Valorizamos mais o “aparentar” do que o, realmente, “ser”. Até chegar o dia em que, feridos na alma, perceberemos que estávamos equivocados em relação ao amor.

Pamela Camocardi

A literatura vista por vários ângulos e apresentada de forma bem diferente.

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