Somos as mesmas pessoas na vitória e na derrota. O que muda são as circunstâncias. Parte I – A conquista.

Luciano Cazz

Parte I – A conquista.

O sucesso não chega de uma hora para outra. Ele é a construção gradual de um caminho de batalhas onde ora perdemos algumas e ora ganhamos outras. Não construímos um castelo com uma pedra só. É preciso força e persistência para empilhar uma a uma. Dedicação e empenho no cumprimento das tarefas diárias. Porque o sucesso é a soma de pequenos esforços dia após dia.

Aprendemos, amadurecemos, assim como o mundo inteiro que está na sua guerra diária atrás dos seus sonhos. Crescemos a cada dia dessa busca, mas não nos tornamos deuses quando chegamos onde tanto queríamos. Não somos mais especiais do que quem ainda tem as costas doídas e as mãos calejadas por ainda carregar suas pedras. Cada um tem seu tempo, sua trajetória. Sua missão nessa vida. E suas limitações, por isso, construir uma canoa pode ser o grande sucesso de alguém nas leis do universo. E não cabe a nós julgar o compromisso de cada um com o mundo.

Não é algo negativo nos orgulharmos da nossa construção, porém, nosso feito não é o único nessa vida. Não nos define por completo. Conquistar um objetivo ou ter uma grande vitória não determina caráter, nem gentileza. Viver a arrogância de se achar o máximo por ter sucesso é construir um castelo de areia. Porque de nada adianta ser rico e tratar seus funcionários com desrespeito e soberba.

Não vale nada viver para um sonho e deixar a família de lado. Não adianta conquistar uma vitória e ser incapaz de compreender que ela não veio sozinha. Que teve quem lapidasse a pedra, acimentasse o tijolo e, principalmente, quem lhe ajudou a carregar o peso do seu sonho até o terreno onde seu castelo ganhou forma.

Exatamente por isso que após uma conquista é quando devemos ser mais gratos do que nunca, pois finalmente toda a ajuda se tornou efetiva e teve o resultado tão esperado. É nesse momento que o coração dos humildes se enche de amor e gratidão. Porque a vitória não é de um dia para o outro. Ela vem de todos os passos que você deu na sua vida até aquele momento.

Por isso, quando você chegar lá, não deixe o sucesso subir à sua cabeça. Uma conquista não apaga as derrotas anteriores, elas continuam fazendo parte de quem você é, porque conquistar um sonho não é subir em um pedestal, pelo contrário, é abrir o coração para a paz de espírito. Então, não acredite que conviver com os outros é um favor que você faz para eles. Porque não é.

Várias pessoas gostariam de ter as qualidades que temos, mas não conseguem. Da mesma forma, destacam-se onde a gente não é nem capaz de entrar. E apesar de sermos mais nisso e menos naquilo, existe um equilíbrio ao qual devemos respeitar e estar muito atentos, porque é ele que nivela o significado do ser humano, o sentido de ser humano.

Todos têm suas potencialidades, mesmo que muitos ainda não tenham descoberto as suas. E sua magia, seu mistério. Todos têm seu lado mesquinho e imaturo, defeitos que nos colocam os pés no chão nos deixando claro que somos simplesmente humanos.

Portanto, não empine o nariz quando alcançar o sucesso para não o desperdiçar tropeçando na sua própria arrogância. Você pode cair em um mundo irreal onde acreditar que se é o máximo não passa de uma mera ilusão de quem, na verdade, é o mínimo, porque vencer sem humildade é se achar rei sem, de fato, ter uma coroa.

Continue lendo a Parte II:

Somos a mesma pessoa na derrota ou na vitória. O que muda são as circunstâncias. Parte II – O fracasso.

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Luciano Cazz
"Luciano Cazz é publicitário, ator, roteirista e autor do livro A Tempestade depois do Arco-íris."

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