Como dizemos adeus quando algo que nos fez feliz, chega ao fim? Nesse caso, me refiro a um relacionamento onde existiu amor de verdade. O “show” acaba, mas não queríamos que ele tivesse acabado. O que fazer? Como dizer adeus?

Estava ouvindo a música “Take a bow” da Madonna, e fui invadida por esses pensamentos que me fizeram refletir:

Quando o “show” é interrompido sem que esperássemos por isso, fica difícil dizer adeus!

Como Madonna disse:

“O mundo inteiro é um palco e cada um tem seu papel! Mas como eu iria saber o jeito que a história acabaria? Como eu iria saber que você quebraria o meu coração? ”

Assista o clipe da música “Take a Bow” legendado antes de continuar o texto:

Quando o “show” acaba, alguns viram as costas sem olhar para atrás, e já compram os ingressos do próximo evento. Outros, sentam e choram como se chorar fosse fazer o “artista” voltar ao palco.

Vivemos ciclos.

Ciclos com começo, meio e fim. Alguns finais felizes. Outros nem tanto. Mas alguns “shows” podem durar a vida toda.

Geralmente, duram os “shows” dos artistas que nos impactam positivamente, afinal, quem nunca pensou que o “show” tinha acabado para sempre, se entristeceu, e depois chegou em casa, ligou o DVD e “seguiu o baile”?

Quem consegue manter a chama do “show” acessa são aqueles que vivem a ideia de que o “show” sempre tem que continuar…

O final feliz, por sua vez, não nos imuniza do choro. Ao contrário, a emoção, muitas vezes, toma conta de nossos sentidos e devemos chorar, mas sempre lembrando que o “show” precisa continuar.

Muitas vezes a simples ideia de fim traz tristeza.

Principalmente, quando não gostaríamos que ele acabasse.

O medo que acabe nos domina, e acontece o que psicólogos chamam de PROFECIA DA AUTO REALIZAÇÃO. Você teme tanto que acabe, que ele acaba, e quando acaba, você percebe que nem curtiu direito.

Em outros casos o final causa uma tristeza momentânea, misturada ao sentimento de realização.

Pode causar uma falta, um sabor de quero mais.

Aprender a lidar com o adeus não é privilégio dos corações partidos

A despedida de um filho no aeroporto. O filho que foi um bebê e cresceu. Agora esse bebê segue seu voo com as asas que você ajudou a criar.

“The show is over, say goodbye”

A despedida de uma empresa. Seja pela aposentadoria ou pela oportunidade de alçar um novo voo. Um trabalho no qual você dedicou grande parte do seu tempo e de sua energia, uma empresa cujo nome tornou-se seu sobrenome. Sobrenome esse que você agora deixará de usar.

“The show is over, say goodbye”

Todos os finais trazem consigo algo em comum. Os finais dos mais diversos tipos de “show” assemelham-se em uma condição.

Todos eles oferecem a oportunidade de recomeçar.

Todo final exige de nós um novo começo. Todo final é um convite para uma nova jornada.

Mesmo naqueles finais em que deixamos de usar um nome adquirido em função do “show”, o retorno ao nome antigo não nos encontrará iguais ao que fomos antes.

A experiência nos transforma dia após dia. Show após show.

Bom é quando o final do show, ainda que triste, nos deixa bons ensinamentos

Aprendizados, bons momentos, belas histórias. Esse legado segue conosco para o próximo espetáculo. E porque não tentar assisti-lo de novo pela vida a fora? Se valeu a pena, e a vontade apertar o peito, podemos sim comprar novos ingressos para o mesmo show.

O que houve de ruim fica para traz, como aprendizado. Faz parte dos alicerces do novo palco.

Independente do show ou da forma como ele chegou ao final, que possamos sempre ser gratos. Honrar as vivências que compõe nossas experiências, nossa história, nosso viver.

E que ao final do show, de cada um deles, possamos agradecer ao público, como aconselhou Madonna: “take a bow”

Seja grato!








Elen de nascimento, Maria por opção. Escritora, pensadora, sonhadora, gestora, coach e mãe. Escrever é colorir a realidade com as imagens que a alma captura a cada momento do existir. Tudo que é vivido, pensado ou sentido merece também ser escrito.