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“Quando eu falo do outro, na realidade eu estou falando mais de mim que do outro.”

Como disse Freud: “Quando eu falo do outro, na realidade eu estou falando mais de mim que do outro.”

A maledicência e o triplo filtro de Sócrates

Sócrates, um filósofo grego, explicitou em um diálogo com um amigo, como podemos lidar de maneira inteligente com a fofoca. Neste discurso, ele explica que toda e qualquer informação que nos chega deve passar criteriosamente por três filtros. Confira a interessante proposta deste sábio filósofo ateniense.

A famigerada maledicência, também conhecida popularmente como fofoca, é um dos problemas interpessoais e relacionais mais antigos que se tem conhecimento, sendo uma postura anti-ética e irresponsável.

Por este motivo, é uma atitude que pode promover consequências funestas ou mesmo desagradáveis. A fofoca pode estar relacionada com a falsidade e a inveja, e deste modo ser geradora de intrigas, conflitos e discórdia.

A fofoca existe desde tempos imemoráveis, quando o homem desenvolveu a linguagem, provavelmente no paleolítico. Sendo assim, o processo de comunicação não é só uma inclinação natural do ser humano, mas faz parte da sua natureza intrínseca.

Somos dotados de linguagem e esta obviamente nos permite estar sempre em comunicação, em interação, em socialização, em troca de informações, tendo como objetivo facilitar a vida.

Mas, até que ponto esta comunicação é benéfica ultrapassando os limites da ética e do relacionamento saudável com os demais, chegando mesmo a desrespeitar os limites da integridade e da moralidade nos nossos relacionamentos?

Sócrates, um filósofo grego, explicitou em um diálogo com um amigo, como podemos lidar de maneira inteligente com a maledicência.

Neste discurso, ele explica que toda e qualquer informação que nos chega devem passar criteriosamente pelos filtros da VERDADE, BONDADE E UTILIDADE, para que desta forma possa ser propagada.

Em outras palavras, a informação a ser passada adiante para outras pessoas deve:

1- Ser absolutamente um fato verídico, sem alterações ou deturpações ou interpretações subjetivas da realidade;

2- Deve ter como objetivo precípuo um ato de bondade, com o propósito de ajudar e servir o próximo, ou seja, que não almeje prejudicar ou manchar a imagem de pessoas, grupos, sociedades ou organizações;

3- E por ultimo, que seja sempre uma informação obrigatoriamente útil para favorecer as pessoas e a comunidade;

A fofoca surge por motivos diversos: porque queremos ser aceitos em um grupo, porque queremos chamar atenção dos outros, por vingança, ciúme, ou simplesmente porque queremos “passar o tempo”.

No entanto, o motivo principal é o de não termos objetivos definidos, ou seja, além de estarmos nos espelhando nos outros, estamos principalmente desocupados.

Então, quando estamos desocupados e insatisfeitos conosco, sem objetivos e propósitos de vida, nossa auto-estima baixa e percebemos a vida do outro mais interessante, dando espaço a outros sentimentos como a inveja e o ressentimento.

Como já relatei em outro texto, todos nós somos únicos e especiais. Ao observar a vida do outro, nossa vida fica esquecida, trava, não se desenvolve e nem prospera, já que não estamos focando nos nossos propósitos.

Faça sua vida mais interessante, mais fascinante, pois você também possui muitas qualidades e recursos. Desenvolva-os.

A fofoca também tem outro ponto negativo: torna qualquer ambiente hostil, seja na vida pessoal ou social, pois ela fere o direito das pessoas, trazendo consequências negativas, algumas vezes irreparáveis.

Todo mundo sabe como uma fofoca começa, dai ela vai se distorcendo de tal maneira tal qual como na brincadeira do telefone sem fio; com sedimentações de informações adicionais e distorções.

No final de tudo, ninguém sabe como se chegou a uma estória totalmente diferente e cheia de criatividade; Muito menos se sabe quem disse, quem inventou e propagou.

A fofoca não tem identidade.

Porém, certamente existem pessoas prejudicadas e com imagens manchadas, sendo difícil contornar a situação ou até mesmo revertê-la. Então, pra que se envolver em situações infrutíferas ou danosas? Que tal ocuparmos o nosso tempo com algo que nos beneficie?

Devemos rever nossas posturas e valores, nos posicionarmos como pessoas de bem e para o bem, semeando sempre a concórdia e a paz, sendo instrumento de crescimento e bem-estar comum. Para este fim, precisamos filtrar os boatos, as informações que nos chegam, não interagindo com as fofocas e nem fazendo julgamentos precipitados.

Utilizar sempre o filtro da verdade, bondade e utilidade. Se assim o fizermos, nos absteremos dos julgamentos precipitados, das antipatias infundadas e das aversões interpessoais sem critérios. (…)porque os outros disseram…(…)porque o outro fez isto ou aquilo, nesse “disse-me-disse” que não leva a nada de bom.

Acredito que devemos discutir ideias, propósitos, situações. Discutir sobre questões politicas e sociais, e não discutir sobre o comportamento direto das pessoas; pior, opinar sobre a vida delas sem ter consentimento das mesmas e sem acrescentar nada que as beneficiem.

O mundo necessita de pensadores, de questionadores, de avaliadores, de pessoas que façam a diferença, que se preocupem com coisas essenciais, que promovam mudanças e que se preocupem com os outros de forma positiva e responsável.

Para refletir:

Como disse Freud: “Quando eu falo do outro, na realidade eu estou falando mais de mim que do outro.” Não esqueça: é de uma pequena fagulha que se provoca um incêndio. Portanto, quando for emitir ou receber alguma informação não esqueça se você está utilizando os três filtros: VERDADE, BONDADE E UTILIDADE.

*Foto: Getty Imagens

*DA REDAÇÃO RH.

Soraya Rodrigues

https://www.facebook.com/FechamentodeCicloeRenascimento/?fref=ts Soraya Rodrigues de Aragão é psicóloga, psicotraumatologista, escritora e palestrante. Realizou seus estudos acadêmicos na Unifor e Universidade de Roma. Equivalência do curso de Psicologia na Itália resultando em Mestrado. Especializou-se em Psicotraumatologia pela A.R.P. de Milão. Especializanda em Medicina Psicossomática e Psicologia da Saúde - Universidad San Jorge (Madri) e Sociedad Española de Medicina Psicosomática y Psicoterapia. Sócia da Sociedade Italiana de Neuropsicofarmacologia e membro da Sociedade Italiana de Neuropsicologia. Autora do livro Fechamento de Ciclo e Renascimento: este é o momento de renovar a sua vida. Edições Vieira da Silva, Lisboa, 2016; e do Livro Digital: "Transtorno do Pânico: Sintomatologia, Diagnóstico, Tratamento, Prevenção e Psicoeducação. É autora do projeto «Consultoria Estratégica em Avaliação Emocional»

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