O corpo que habitas e que não conheces. Investimos tempo a conhecer-nos emocionalmente. Lemos sobre inteligência emocional, sobre padrões de vinculação, sobre os nossos gatilhos e as nossas feridas. E está certo. Mas há uma dimensão do autoconhecimento que fica quase sempre de fora: a relação com o corpo, em particular com o prazer.Não é por acaso.
A maioria de nós cresceu sem uma conversa honesta sobre o corpo enquanto fonte de prazer. A educação sexual, quando existiu, falou de riscos e de reprodução. Raramente falou de bem-estar, de desejo ou de como o corpo responde ao toque. E o resultado é um paradoxo: vivemos dentro de um corpo que não conhecemos verdadeiramente.
Investimos tempo a conhecer-nos emocionalmente. Lemos sobre inteligência emocional, sobre padrões de vinculação, sobre os nossos gatilhos e as nossas feridas. E está certo. Mas há uma dimensão do autoconhecimento que fica quase sempre de fora: a relação com o corpo, em particular com o prazer.
Não é por acaso. A maioria de nós cresceu sem uma conversa honesta sobre o corpo enquanto fonte de prazer. A educação sexual, quando existiu, falou de riscos e de reprodução. Raramente falou de bem-estar, de desejo ou de como o corpo responde ao toque. E o resultado é um paradoxo: vivemos dentro de um corpo que não conhecemos verdadeiramente.
Os números confirmam o que muitas mulheres sentem sem conseguir verbalizar. Um estudo da Universidade do Porto, coordenado por Pedro Nobre e aplicado com o questionário SHAPE da Organização Mundial de Saúde a 2.010 portugueses, revelou que cerca de 50% reportam baixos níveis de satisfação com a vida sexual. Uma em cada cinco pessoas diz que as suas dificuldades sexuais lhe causam sofrimento significativo.
A nível internacional, o chamado orgasm gap ilustra o problema de forma concreta: segundo um estudo de Frederick e colaboradores publicado nos Archives of Sexual Behavior (2018), com uma amostra nacional nos EUA, os homens heterossexuais atingem o orgasmo em 95% dos encontros sexuais. As mulheres heterossexuais, em apenas 65%. E o dado mais revelador é este: mulheres lésbicas reportam orgasmo em cerca de 86% dos encontros. A diferença sugere que o problema não é biológico. É de conhecimento.
Investigações sobre imagem corporal e sexualidade apontam na mesma direção: mulheres com pensamentos negativos sobre o próprio corpo durante a atividade sexual reportam menor satisfação, independentemente do funcionamento sexual. A vergonha interrompe o prazer. E quando, num inquérito britânico (YouGov/Eve Appeal, 2016), 45% das mulheres não conseguiram sequer identificar a vagina num diagrama anatómico, o problema começa muito antes do quarto.
O autoconhecimento corporal não é um luxo nem uma indulgência. É, literalmente, a base para uma relação saudável com o prazer. Saber como o corpo responde, que zonas são mais sensíveis, que tipo de estimulação funciona, é informação. E informação muda comportamento.
Um exemplo concreto: um estudo de 2023 da Oregon Health & Science University, publicado no Journal of Sexual Medicine, revelou que o clitóris contém mais de 10.000 fibras nervosas mielinizadas, muito acima do que se estimava. Essa concentração de recetores sensoriais, sensíveis à pressão e à vibração, explica porque a estimulação direcionada desta zona é tão eficaz. Dispositivos como vibradores clitóris existem precisamente para isso: oferecer uma estimulação adaptada à anatomia real do corpo feminino.
E não é um nicho. Os vibradores são o produto mais vendido no setor de bem-estar íntimo, representando cerca de 24% das vendas do setor, segundo dados do E-Commerce Brasil. A procura existe. O que falta, muitas vezes, é a permissão interna para a acolher.
Falamos de autocuidado com naturalidade quando o tema é meditação, alimentação ou exercício. Mas o bem-estar íntimo continua a ser tratado como algo à parte, como se não fizesse parte da mesma pessoa. E faz.
Integrar brinquedos sexuais na rotina de autocuidado não é frivolidade. É uma extensão lógica do mesmo princípio: conhecer o corpo, respeitar o que ele pede, dar-lhe o que precisa. E o facto de hoje ser possível escolher com calma, comparar opções e ler informação detalhada numa sex shop online torna o processo mais acessível e menos carregado de constrangimento do que alguma vez foi.
A relação com o teu corpo é, de facto, a mais longa que vais ter. Começa antes de qualquer outra e dura até ao fim. Vale a pena investir nela com a mesma intenção que investes nas restantes. Não por obrigação. Por cuidado.
Entre os dias 12 e 28 de agosto, o céu concentra uma sequência de movimentos…
Se você tem em casa um azeite da Andorinha, Gallo, Borges, Gomes da Costa, Filippo…
Escolher um nome carrega identidade, memória de família, significado cultural e também aquela sensação difícil…
Às vezes uma pessoa invade sua mente com uma força que não tem explicação óbvia.…
Tem uma planta suculenta, de folhas carnudas, que provavelmente já está no seu jardim ou…
À primeira vista, é só uma árvore: tronco retorcido, galhos cheios de nós, folhagem densa.…