Autores

Quais os limites entre Terapeuta e Cliente?

Hoje vamos refletir um pouco sobre a relação entre Terapeuta e Cliente. Por vezes, torna-se difícil estabelecer os limites da relação, principalmente no âmbito das terapias holísticas e alternativas, muito em voga nos tempos atuais, e que despertam o melhor que há em nós.

A realidade é que é muito complicado desenvolver a neutralidade no que diz respeito à socialização entre ambas as partes. Se por um lado o Cliente procura um apoio para os seus problemas e questões mais profundas, por outro lado o Terapeuta tem o desejo inegável de ajudar a curar o próximo. Contudo, há que definir uma fronteira nessa relação, ou então o trabalho de ambos pode ir por água abaixo. Nem o Cliente pode viver em função da opinião e das ações do Terapeuta ou esperar que este último esteja sempre disponível, nem o Terapeuta pode achar que vai curar e resolver as questões do outro. De outra maneira, cria-se uma relação de codependência, em que os envolvidos ultrapassam o bom-senso e o profissionalismo.

É certo que este é um meio em que se considera muito o lado humano e espiritual, mas não é por isso que não devem existir regras. É importante o Terapeuta ser afável, educado e prestável, mas não pode cair na armadilha de querer ser o amigo disponível para todos os clientes que o procuram sem ser no âmbito terapêutico. Enquanto Terapeuta, acho que é importante, após uma consulta, querer saber novidades do Cliente. É aceitável mandar uma mensagem ou fazer um telefonema, símbolo de preocupação e carinho pela pessoa. No entanto, é sempre um risco, pois pode ser-se mal interpretado. Será que é intrusão? Será que o cliente vai ou não gostar? Será que o Cliente vai pensar que é imposturice?

O excesso de preocupação e da confiança dada pelo Terapeuta pode gerar algumas situações que são prejudiciais a essa relação que deveria ser profissional:

1. O Cliente passa a procurar o Terapeuta por interesse, mandando-lhe mensagens ou fazendo telefonemas, ou seja, quando precisa de ajuda para resolver um problema;

2. O Cliente pode ficar a saber de mais da vida pessoal do Terapeuta e falar sobre isso a outras pessoas, prejudicando assim o seu trabalho;

3. O Terapeuta pode ficar constrangido na hora de cobrar a consulta, pois passou o limite da relação profissional;

4. O Cliente pode levar a mal o facto de o Terapeuta cobrar a sessão e pensar que este só quer dinheiro;

5. O Cliente pode ter ciúmes de outros clientes a quem o Terapeuta dá mais atenção;

6. O Terapeuta pode não conseguir desenvolver a neutralidade e objetividade que seriam expectáveis numa consulta;

7. O Terapeuta pode ficar frustrado por não conseguir resolver o problema do Cliente, pois está demasiado apegado;

Então, considerando as questões acima mencionadas, é importante considerar que:

1. O Terapeuta não pode estar sempre disponível fora do seu horário de trabalho;

2. O Terapeuta não deve tomar cafés com todos os clientes que precisam de conselhos ou de desabafar. Para isso, o Cliente deve marcar consulta e valorizar o trabalho do Terapeuta;

3. O Cliente não pode viver em função da opinião do Terapeuta e das suas orientações. Deve deixar a vida fluir e ser responsável pelas suas ações;

4. O Terapeuta tem que ser cordial e educado com todos os clientes e por vezes isso implica lidar com pessoas com quem não simpatize, como em todas as profissões que estão em contacto com o público. Um médico faz bem o seu trabalho e não se identifica necessariamente com os seus pacientes;

5. O Terapeuta não deve ficar desmoralizado quando as pessoas lhe ligam fora de horas para falar das suas vidas e nem sequer lhe perguntam se está tudo bem;

O papel do Terapeuta também é dar um ombro amigo quando é preciso e deve, sim, ajudar e orientar as pessoas no melhor caminho. No entanto, não pode levar os problemas dos clientes consigo para casa. Ele deve saber, como bom profissional, que não pode agradar a todos e que deve estabelecer limites relativamente aos vínculos com os seus clientes. Haverá com certeza situações em que surgirão amizades sinceras entre as duas partes, e isso é perfeitamente saudável. É importante estar-se disponível para ouvir fora do contexto das consultas, mas a outra parte tem que saber também valorizar e respeitar o trabalho do Terapeuta.

Susana Vieira Ramos

Susana Vieira Ramos é Mestre de Reiki, com formação em Vidas Passadas, Leitura da Aura e Anatomia Energética. Iniciou o seu percurso profissional como professora de Português e Filologia Clássica, mas é no desenvolvimento pessoal e espiritual que realiza a sua missão de vida.

Recent Posts

ANTES 12 anos, AGORA 85 anos. Qual desses homens é o menino de hoje: 1, 2, 3 ou 4?

Envelhecer é uma das transformações mais fascinantes da vida. Ao longo dos anos, nosso corpo…

2 dias ago

Aos 80 anos, minha barriga cresceu de forma assustadora. Mas os médicos ficaram em choque quando descobriram que…

Nunca imaginei que, aos 80 anos, uma simples consulta médica pudesse colocar em dúvida tudo…

2 dias ago

Mulher de 31 anos morre após ‘seguir conselho’ do ChatGPT; gerando alerta sobre até onde podemos confiar na inteligência artificial

A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma tecnologia distante para ocupar espaço no cotidiano.…

2 dias ago

A série coreana que enfrentou pedido de cancelamento virou fenômeno na Netflix: por que todo mundo está falando dela

Algumas produções chegam ao streaming em silêncio. Outras chegam cercadas de briga. "Aprendendo a Lição"…

2 dias ago

Quem tem esses signos pode explodir a qualquer momento até 30 de novembro: o que Vênus e Mercúrio querem trazer à tona

Quem tem paciência de sobra pode estar perto do limite. De acordo com a astrologia,…

2 dias ago

TESTE: Qual destas mulheres mais atrai você? Sua escolha pode revelar o que você ‘tenta esconder’ até de si mesmo!

Você já parou para pensar por que algumas pessoas chamam sua atenção imediatamente, enquanto outras…

3 dias ago