Por muito tempo, o homem foi definido como um ser “durão”, rígido, fechado emocionalmente. Dessa forma, sendo o ideal de masculinidade.

Contudo, o tempo mudou. Hoje, esse padrão começa a perder espaço.

Cada vez mais mulheres afirmam sentir atração por homens heterossexuais que fogem do estereótipo de “hétero top” e expressam sensibilidade, empatia e liberdade emocional. Muitas vezes rotulados, de forma pejorativa, como afeminados.

O que antes era visto como defeito passou a ser, para muitas, um diferencial.

O que define um homem afeminado?

Na prática, o termo costuma ser usado para homens heterossexuais que:

  • Demonstram emoções sem medo
  • Gesticulam ao falar
  • Cruzam as pernas sem preocupação
  • Usam roupas coloridas ou fora do padrão tradicional
  • Choram, verbalizam sentimentos e cuidam da própria aparência

Nada disso diz respeito à orientação sexual. Trata-se apenas de comportamento e expressão, não de desejo.

Ainda assim, qualquer afastamento da masculinidade hegemônica costuma gerar estranhamento social.

Por que tantas mulheres estão rejeitando o “hétero top”?

O cansaço vem de experiências repetidas. Muitas mulheres relatam frustração com homens que:

  • Evitam conversas profundas
  • Têm dificuldade de ouvir
  • Confundem frieza com força
  • Reproduzem atitudes machistas normalizadas

Nesse contexto, homens mais sensíveis surgem como uma alternativa emocionalmente mais segura.

Para elas, a atração não está na performance de poder, mas na capacidade de conexão.

Mais empatia, mais intimidade emocional

Relatos femininos apontam um padrão claro: relacionamentos com homens menos presos ao papel do “machão” costumam ter:

  • Diálogo mais fluido
  • Maior empatia emocional
  • Mais escuta e validação
  • Menos jogos de poder

Esses homens tendem a nomear sentimentos, reconhecer limites e se mostrar vulneráveis — algo que muitas mulheres associam diretamente à maturidade emocional.

Segurança masculina não depende de parecer “durão”

Homens que não se sentem ameaçados por julgamentos externos costumam demonstrar maior segurança interna. Eles não precisam provar masculinidade o tempo todo.

Essa postura transmite:

  • Autenticidade
  • Estabilidade emocional
  • Menos medo de rejeição

Para muitas mulheres, isso é profundamente atraente.

Estética alternativa também comunica valores

Além do comportamento, a estética conta. Roupas confortáveis, estilos fora do padrão “camisa polo e tênis esportivo”, acessórios e cuidado com detalhes comunicam individualidade.

Não se trata de moda, mas de liberdade de expressão: algo valorizado por quem já cansou de fórmulas prontas de masculinidade.

Masculinidade rígida também prejudica os homens

Especialistas em gênero apontam que o modelo tradicional de masculinidade não oprime apenas as mulheres. Ele também limita os homens, ao reprimir emoções, associar sensibilidade à fraqueza e exigir controle constante.

Esse padrão contribui para relações mais frias, dificuldade de comunicação e até comportamentos violentos.

A rejeição a esse modelo não é moda — é resposta a um sistema que falhou.

Um novo desejo está em construção

O crescimento do interesse por homens heterossexuais afeminados está ligado a uma mudança mais ampla:

  • Mulheres questionando relações tradicionais
  • Aumento do número de mulheres que escolhem ficar solteiras
  • Busca por vínculos mais conscientes e menos hierárquicos

Nesse cenário, o desejo se desloca do “dominante” para o emocionalmente disponível.

Sensibilidade não tira masculinidade — amplia possibilidades

Ser doce, empático e expressivo não torna um homem “menos homem”. Apenas o torna mais humano.

O que muitas mulheres estão dizendo, na prática, é simples: o que afasta hoje não é a delicadeza, é a rigidez emocional.

E talvez o verdadeiro sinal de força seja justamente a coragem de ser quem se é — sem pedir permissão.

Imagem de Capa: Juliano Floss