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Nível de paciência: se a pessoa diz que vai embora, desenho-lhe um mapa.

Ninguém consegue manter um mínimo equilíbrio emocional aturando gente que vive tentando puxar o tapete, que transpira falsidade, que sempre erra, mas nunca muda, que volta para casa, mas não nos enxerga, que acorda e dorme sugando, sem nem ao menos dizer bom dia.

É fato que precisamos exercitar a paciência e a tolerância junto às pessoas com quem convivemos, uma vez que essa é uma das melhores formas de evitarmos aborrecimentos e de conseguirmos seguir sem machucar os outros, por conta de egoísmo. Mesmo assim, sempre haverá quem nos testará quaisquer limites de nossa sanidade emocional, colocando-nos à prova, tentando nos diminuir e folgar sobre nossa solicitude.

É preciso respeitar opiniões contrárias às nossas, modos de vida que não condizem com o que estamos acostumados, bem como o tempo de cada um. Nem todo mundo retornará na mesma medida, nem corresponderá às expectativas que nós próprios criamos sobre os outros, simplesmente porque a vida é de cada um. Ninguém é obrigado a satisfazer às necessidades alheias, tampouco a viver de acordo com o que o outro espera. A diversidade é fato e não tem como mudá-la.

Ainda assim, há que se estabelecerem limites claros entre o que cada um aceita, o que cada um pensa, o que cada um vive, para que terrenos diferentes não ultrapassem as áreas que concernem a cada um.

Temos o direito de viver os nossos sonhos, de buscar as nossas metas, de alcançar a felicidade à nossa própria maneira, desde que não machuquemos ninguém nesse percurso, desde que a dignidade de cada um seja respeitada.

Em se tratando de relacionamentos, quando se unem duas histórias diversas, da mesma forma devem ser postos os limites de cada parte envolvida, para que ambos se doem e se enxerguem enquanto indivíduos que possuem algo dentro de si que precisa ser respeitado e levado em conta. Concessões, mudanças e ajustes deverão partir de ambas as partes, pois, quando uma pessoa não consegue sair de si mesma, por um minuto que seja, sem enxergar além do próprio umbigo, todo e qualquer peso somente recairá do outro lado, que fatalmente acabará vergando, uma ou outra hora.

É humanamente impossível aguentar por muito tempo quem só critica, reclama o tempo todo, quem vive de fofoca atrás de fofoca, quem só quer receber, cada vez mais, sem nada oferecer. Ninguém consegue manter um mínimo equilíbrio emocional aturando gente que vive tentando puxar o tapete, que transpira falsidade, que sempre erra, mas nunca muda, que volta para casa, mas não nos enxerga, que acorda e dorme sugando, sem nem ao menos dizer bom dia.

Ou seja, se limites são necessários e essenciais, até mesmo a nossa paciência tem limites – e eles devem ser bem claros.

Prof. Marcel Camargo

Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família.

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