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Não permita que as pessoas se sintam confortáveis quando te magoarem

Não se sinta pequeno, não se sinta menos do que fulano ou beltrano, não se sinta merecedor das tempestades alheias. Só carregue o que for seu.

Se prestarmos atenção, perceberemos que alguns indivíduos parecem ser alvos mais frequentes de mau tratamento por parte dos outros. É como se as pessoas ao seu redor, de sua convivência, ficassem confortáveis para destratá-las, para grosserias. E isso acontece em todos os setores, desde na família, na escola, na rua, até no trabalho: parece que ninguém toma cuidado algum ao se dirigir a essas pessoas.

Já se disse que as pessoas costumam tratar mal aqueles de quem elas têm certeza de que virá o perdão; daí um dos motivos de muitos filhos destratarem seus pais e serem dóceis fora de casa. Ou seja, a pessoa vai extrapolar em terrenos onde ela se sente confortável e livre. O ser humano precisa de limites e, no campo dos relacionamentos, as delimitações de espaço devem estar claras. Ou isso, ou alguém sempre estará invadindo seu quintal sem ter sido chamado.

E isso se aplica também aos tratamentos que as pessoas dispensam umas às outras. Na verdade, deveria ser comum um tratamento ponderado e civilizado entre quaisquer pessoas, mas não é assim. Tem gente que abusa de quem abre a guarda, que se aproveita de quem não se atenta, que pisa quem estiver vulnerável.

Tem gente que desconhece limites, uma vez que somente enxergam a si mesmos, jamais se colocando no lugar do outro. Aliás, tem gente que magoa com prazer.
É preciso deixar bem claro o nosso nível de tolerância, os terrenos em que ninguém entrará sem ter sido convidado, os sentimentos a que ninguém terá acesso sem permissão.

Não podemos permitir que as pessoas se sintam confortáveis nos xingando, humilhando, sendo grosseiras e abusivas, como se fôssemos diminutos, como se fôssemos desprezíveis, fracos. Não devemos nos diminuir para não desagradar o outro. Quem nos destrata não merece nada de nosso precioso afeto.

Não se sinta pequeno, não se sinta menos do que fulano ou beltrano, não se sinta merecedor das tempestades alheias. Você terá o direito de colher conforme o que semeia, sem se deixar contaminar pelas ervas daninhas dos outros. Não carregue consigo o que não for seu, nem aceite que te joguem pesos que nada têm a ver com o que você é ou sente.

Não ligue se começarem a se afastar quando você for verdadeiro, porque será uma limpeza que a vida estará lhe proporcionando: só ficará quem for de verdade. E isso será tudo.

Prof. Marcel Camargo

Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família.

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