Destaque

Muitas vezes, a vida nos afasta daquilo que mais amamos

Por: Nara Rúbia Ribeiro

Muitas vezes, a vida nos afasta daquilo a que mais amamos. Não dá para entender o motivo, a razão, nem sempre é possível entender a lógica intrincada que nos distancia daquilo que o coração tanto deseja. Mas acontece.

Logo na infância, eu me apaixonei pela ideia de cursar Medicina. Minha família era batista e inúmeros missionários médicos saíam daquela igreja para diversos países da África. Ah, que bonita a ideia de alguém abandonar a comodidade e uma vida estável para dedicar-se a um propósito maior e salvar vidas.

Mas eu não pude cursar Medicina. Por mais que eu me esforçasse, estava além das minhas condições financeiras e eu necessitava, com urgência, estabilizar-me para auxiliar, filha mais velha que sou, a minha família.

Próximo à cidade interiorana onde eu morava, havia uma Faculdade de Direito. Como donzela abandonada pelo amor primeiro, fiz empenho de me apaixonar pelo mundo jurídico. Li boa parte das obras de Rui Barbosa no último ano do ensino médio, li o que encontrei de Teoria do Estado e Direito Constitucional. Apaixonei-me, assim, pela advocacia.

Cursei Direito, mas o meu amor pela advocacia primeiro foi obstado por diversas circunstância que me impediram de advogar. E, logo depois, por minha real inaptidão a esse trabalho. Por algum motivo que não sei explicar, tudo na advocacia me produzia enfado, ansiedade, nada me alegrava. Foi como desses amores que são belos e perfeitos à distância, mas quando se aproximam ferem a nossa face se nos acariciam ou sufocam a nossa alma, se nos beijam.

Alguns amores, sejam profissionais, sejam relacionamentos interpessoais, eles existem em si mesmos e nos movem a alma, mas não se destinam à concretude. Eles integram a nossa alma, são fulcrais, são pilastras de nossas vidas, mas ficarão sempre aqui, dentro do peito, como se não se destinassem ao mundo lá de fora.

Isso acontece porque a vida é uma teia impermeável ao nosso imediato entendimento. Aquilo que planejamos, aquilo que sonhamos, aquilo que move a nossa alma, ou o amor que faz tremer as nossas pernas, que faz com que percamos a fala ou nos leva a planejar castelos e jardins floridos, é a nossa essência dizendo-nos que ela subsiste.

Levo uma frase de Rubem Alves no coração. Ele sempre dizia que ele só chegou onde havia chegado porque tudo o que planejou não deu certo. O plano, o sonho, a paixão ou mesmo o amor puro é o que nos move. Mas uma Mão Invisível, mescla de fatores intrínsecos e estranhos a nós, é que nos conduz ao nosso destino, à realização da nossa missão pessoal. Essa frase de Rubem sempre me consolou, ao longo da vida.

E quando a vida nos afasta daquilo que amamos, é como se uma fissura fosse feita no solo da nossa alma. Há uma dor que nos dilacera, nos avilta e, ao mesmo tempo, nos prepara para o novo. Façamos dessas fissuras um campo fértil para a semeadura do bom e do belo. E dessas feridas nascerão flores e frutos que certamente nos farão compreender que todos os amores valeram a pena, embora muitos tenham ficado pelo caminho.

Resiliência Humana

Bem-estar, Autoconhecimento e Terapia

Recent Posts

Quantos rostos você consegue ver nesta árvore? Não existe resposta certa — e isso diz muito sobre como você enxerga o mundo

À primeira vista, é só uma árvore comum, com galhos secos e uma copa ampla.…

3 dias ago

“Não tenho tempo! Ele está na escola, então o problema é seu”: professora revela frustração com pais que não desfraldam os filhos

Uma professora primária do sul da Inglaterra decidiu desabafar ao jornal britânico Daily Mail sobre…

3 dias ago

Você se lembra dela? Ela virou sensação nos anos 60 com um programa de TV e, décadas depois, ainda brilha ao lado da própria filha no Oscar

Tem rostos que atravessam gerações sem perder o brilho. Esse é um deles: uma atriz…

3 dias ago

Aos 81 anos, essa atriz nunca recorreu a cirurgia plástica e segue ativa em Hollywood — e é madrinha de uma estrela mundialmente famosa. Você sabe quem é?

Existem carreiras que atravessam décadas sem perder o brilho, e existem atrizes que encaram o…

4 dias ago

Ele foi um dos maiores ídolos teen dos anos 80 — e morreu na pobreza depois de tentar vender os próprios dentes e cabelo. Você lembra dele?

Nos anos 80, era impossível não reconhecer aquele rosto. Poucos anos depois, o mesmo ator…

4 dias ago