Psicologia e Comportamento

Ir embora também é um ato de coragem

Às vezes, simplesmente precisamos ir. Não há palavras certas quando decidimos partir. Não há frases que preencham o vazio ou amenize a dor de quem fica. Só que apesar de todo o julgamento, escolher partir nem sempre é covardia.

Pelo contrário, às vezes, ir embora também se trata sobre ter coragem. Porque ir significa desistir de muitas coisas essenciais. É abrir mão de uma história importante, de inúmeras lembranças e da companhia de sempre para todos os momentos. É sair da zona de conforto.

Ir embora também se trata de correr o risco de ver a pessoa que amamos sendo feliz com outra. Amamos sim, ainda existe amor quando partimos, mas entende-se que apenas amar não basta. O amor precisa muito mais do que amor para que dê certo. Então, desistir não é apenas sobre terminar uma relação, mas de deixar livre a outra pessoa para que ela procure a sua própria felicidade.

Eu sei, é hipocrisia dizer que isto se faz apenas pela outra pessoa, que não há um alivio em livrar-se de um sentimento pesado que se carregue, mas há também outro lado que não é contado sobre os que vão.

É difícil quando vem a vontade de abraçar a pessoa que desistimos e perceber que não podemos mais contar com ela. É complicado respeitar a distância, quando tudo o que se quer é manter a amizade e, saber se do outro lado está tudo bem. Inclusive, com o menor egoísmo do mundo, dói saber que, do lado de lá, há um sofrimento silencioso também, e que além de sermos os culpados, não podemos fazer nada a não ser fingir que esta dor não existe.

Porque desistir se trata também sobre ser solidário com quem se ama. Neste caso, se trata de entender que do lado mais racional deve vir a força para manter a distância, que é deste lado que precisa vir o equilíbrio para não ter recaídas. É driblar a saudade, e colocar na cabeça de todos ao redor que não tem tempo ruim na solidão que foi escolhida, é seguir sem arrependimentos. Há uma responsabilidade maior para quem decide partir.

Escolhe-se ir embora porque se entende que a outra pessoa merece mais do que está recebendo, mais admiração, mais carinho e mais consideração. Machuca saber que não é possível oferecer tudo o que a outra pessoa merece. O coração fica inquieto por perceber que não consegue suprir as necessidades do outro e, ao mesmo tempo, por sentir-se incompleto também.

Não há glórias quando decidimos partir, nem carnaval sem fim. É triste. O que acompanha a nossa escolha é a dor da culpa e a sensação que poderíamos ter feito diferente. O único sentimento bom que fica é a esperança de acreditar que no futuro, realmente, o sol voltará a brilhar para os dois. Que as escolhas dolorosas de hoje, são os caminhos certos de amanhã.

Ir embora não é fraqueza, nem covardia. Na verdade, deixar alguém que se ama para que encontre a sua verdadeira felicidade, é o ato mais corajoso que eu já vi na vida.

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