A imagem mostra um adolescente de cabelo bagunçado e olhar tímido, nada que sugira o que viria depois. Aquele garoto de uma cidade cinzenta da Inglaterra viveu o auge do rock, perdeu o controle para o álcool e as drogas, quase não voltou e, ainda assim, deixou uma das vozes mais reconhecíveis da história da música. Ele se chamava Joe Cocker.
John Robert Cocker nasceu em Sheffield, cidade industrial do norte da Inglaterra, em 1944, quando o país ainda vivia sob a sombra da guerra. Cresceu cercado de chaminés e fábricas e, aos 12 anos, já cantava com o grupo de skiffle do irmão mais velho, Victor.
Para ganhar a vida, formou-se gasista, o profissional que instala e cuida de redes de gás, enquanto tentava a sorte nos palcos. Ninguém imaginava que a voz rouca e áspera, tão diferente do padrão da época, seria sua saída.
Em 1968, sua versão de “With a Little Help from My Friends”, dos Beatles, chegou ao primeiro lugar nas paradas no Reino Unido. No ano seguinte, a apresentação no festival de Woodstock, com seu jeito inconfundível de se contorcer e de cantar como se cada nota fosse uma batalha, consagrou o artista para o mundo.
A fama veio com uma conta pesada. Depois de dissolver sua banda, ele foi obrigado, por contrato, a fazer a turnê “Mad Dogs & Englishmen”, em 1970, um período que costuma ser associado ao início dos seus problemas com álcool e drogas. Nos anos seguintes, a dependência cobrou preços altos na saúde, nas finanças e na carreira. Em 1972, foi preso na Austrália por posse de maconha. Ele enfrentou o abuso de álcool e, nos anos 1970, um problema com heroína.
Em shows, a voz e a presença sofreram. A carreira foi se apagando, e muita gente achava que o cantor não voltaria.
A recuperação veio aos poucos, com a ajuda da segunda esposa, Pam Baker. Ele a conheceu em 1978, num rancho de Jane Fonda, e se casou com ela em 1987. Eles viveram juntos até a morte dele, num rancho em Crawford, no Colorado, onde ele encontrou estabilidade e uma vida mais tranquila longe dos holofotes.
Em 1982, “Up Where We Belong”, dueto com Jennifer Warnes para o filme “A Força do Destino”, fez dele um nome conhecido por uma nova geração. A canção venceu o Oscar de melhor canção original e rendeu o Grammy à dupla. Em 2008, ele recebeu o título de Oficial da Ordem do Império Britânico (OBE) por serviços à música.
Joe Cocker morreu em dezembro de 2014, aos 70 anos, de câncer de pulmão, em casa. Deixou um legado que, até hoje, emociona: cada vez que “With a Little Help from My Friends” cresce e quase quebra na voz dele, parece soar menos como canto e mais como sobrevivência.
A trajetória de Cocker lembra que sucesso e sofrimento podem caminhar juntos, e que a recuperação costuma depender de apoio, tempo e escolhas difíceis. Para ler mais histórias de artistas que atravessaram fases duras, veja também o ídolo dos anos 80 que se reinventou depois de abusar da bebida e a foto de infância de Jim Carrey em 1973.
Imagem de Capa: Joe Cocker
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