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Este ano está sendo o mais feliz, o ano que eu mais cresci como ser humano

Este ano não começou muito feliz. Alguns contratempos me tiraram do eixo, colocando um peso nos meus ombros.

Demorei para relaxar, para entender, para aceitar que muito só depende de mim, mas tem uma outra grande parcela que depende do outro, depende da situação e depende da vida.

Eu, que não acredito em acaso, xinguei o destino. E resolvi me recolher, pensar, tentar procurar o meu erro, desviar das pedras, vislumbrar uma luz no meio do caos.

Nem sempre é bom olhar pra dentro, já que o processo da auto-aceitação é dolorido e um pouco perigoso. Mas resolvi me aceitar, resolvi parar de mentir para minha consciência, parar de fingir que nada estava havendo.

Muita coisa aconteceu. Morri e ressuscitei. Entendi que não preciso controlar tudo, nem querer tudo do meu jeito.

Eu, tão acelerada e louca, resolvi relaxar.

Não foi, nem é, fácil.

Uma pessoa como eu, acelerada e louca, tem a sensação constante que os ponteiros do relógio correm a maratona de São Silvestre, que nunca vai dar tempo, que é preciso correr, que o sinal vai estar fechado, que nada vai dar certo.

Só que eu cansei de ser acelerada e louca.

Quero ser calma e menos louca, já que a loucura mesmo não tem cura. Quero conseguir não me sentir culpada por dizer eu-não-dou-conta.

Quero não ter vergonha de pedir ajuda.

Quero não ficar com peso na consciência por dormir uma hora a mais, por esquecer de tomar suco verde, por matar o pilates, por atrasar um trabalho, por dormir sem passar a vitamina C no rosto, por ter esquecido de ligar pra uma pessoa querida, por pelo menos uma vez quebrar todas as regras, por dizer aquilo que está engasgado sem pensar se magoei, por falar mal da vizinha, por passar o dia de pernas para o ar, por gastar uma nota numa bolsa, por ler revista de fofoca, por esquecer do tempo.

Este terminará feliz. Finalmente perdi alguns medos, conheci lugares meus que estavam trancados no escuro, libertei algumas crenças, abri a janela para alguns traumas voarem.

Já estava mais do que na hora deles partirem.

Já estava mais do que na hora de eu encontrar o meu lado mulher.

Este ano está sendo o mais feliz, o ano que eu mais cresci como ser humano. Obrigada. Nunca vou te esquecer.

Clarissa Corrêa

Clarissa Corrêa é escritora e redatora publicitária. Gaúcha de Porto Alegre, tem 6 livros publicados, já foi colunista do caderno Donna (jornal Zero Hora) e da revista Tpm. Também já contribuiu com diversos sites femininos. Clarissa já participou do programa Encontro com Fátima Bernardes e seu livro “Para todos os amores errados” já esteve na lista dos mais vendidos diversas vezes. Observadora, além de escrever sobre as coisas de dentro, também trabalha com desenvolvimento pessoal.

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