Categories: Conhecimento

Calar ou falar? Você sabe o que faz a diferença?

Lembre-se de uma situação que gerou angústia, medo, tristeza, e sem saber o que fazer, você procurou alguém para conversar, queria desabafar um pouco, e assim, organizar melhor seus pensamentos e sentimentos. Mas logo que você começa a contar o que lhe aflige, a pessoa te julga, diz que não deve se sentir como se sente, que é errado… enfim, fará se sentir pior do que já estava, você se cala, e sente que não pode contar com ninguém, fazendo com que se cale cada vez mais, guardando tudo que sente só para si.

Agora imagine essa mesma situação, mas com uma diferença: a pessoa te ouve atentamente, te acolhe, mostra interesse pelo seus sentimentos. Você conta como se sente, consegue expressar cada vez mais seus sentimentos, e no final, se sente muito mais aliviada, e mesmo que a pessoa não resolva seu problema, o alívio será evidente.

Você já vivenciou uma dessas experiências? Percebeu como a reação a quem buscou, confiou, pode mudar sua própria reação? Será que consegue identificar o que faz a diferença? O que faz com que você fale ou se cale quando busca alguém para compartilhar seus sentimentos?

Quando uma pessoa leva a sério aquilo que você conta e seus sentimentos damos o nome de VALIDAÇÃO. E isso faz toda a diferença!

Hoje, adulta, você pode, ou não, ter recursos ou ferramentas, para lidar com tal situação, concorda? Você pode ir embora, se defender, argumentar. Mas imagine agora isso quando era criança… geralmente os sentimentos não eram considerados, validados. E a criança dificilmente conseguirá se defender, pois não tem recursos para tal, ficando completamente sozinha com tudo que lhe é doloroso. Não ter nossos sentimentos validados desde criança, faz com que aprendamos muito cedo a não considerar nossas dores, e nem falar de nosso sofrimento, que muitas vezes começou muito cedo.

Lembra do famoso “beijinho que cura”? Por exemplo, a criança cai, e um dos pais pode dizer: “não foi nada, levanta logo, para de frescura”. A criança pode até levantar, mas sentirá que seus sentimentos não foram validados ou respeitados. Muito diferente, se na mesma situação um dos pais disser: “deixa eu ver o que houve, está doendo? Como está se sentindo? Vou dar um beijinho e logo vai passar!” Percebe a diferença? Essa última atitude fará com que a criança sinta que é importante, que seus sentimentos foram considerados e levados a sério. E o que isso muda? Tudo!

 

“Não são os traumas que sofremos na infância
que nos tornam emocionalmente doentes,
mas sim a incapacidade de expressá-los”
Alice Miller

Aquele adulto, que quando procuramos, não valida o que sentimos, pode ser uma criança que não teve seus sentimentos validados. Não oferece isso, pois não aprendeu, não recebeu. E mais ainda, quando somos tratados assim desde criança, aprendemos a não validar os sentimentos das outras pessoas, e também a não validar nossos próprios sentimentos. Percebe o quanto vai se repetindo e deixando sequelas? Por ser algo aparentemente tão simples nem percebemos que deixam sequelas. Mas infelizmente deixam!

Você leu a frase de Alice Miller (psicanalista polonesa, 1923-2010) citada no começo do artigo? Essa é uma das sequelas: nossa incapacidade de expressarmos o que sentimos! E não expressar nossas emoções podem nos fazer adoecer. Muitas pesquisas, e minha experiência no consultório, mostram que sintomas deixam de existir quando a pessoa expressa seus sentimentos, mas com uma diferença, com quem os VALIDE.

Ter a possibilidade de comunicar suas vivências dolorosas a alguém que pode contar, que demonstre interesse e compreensão pela sua história, e valide suas dores e seus sentimentos, faz toda a diferença! A pessoa que te acolhe, leva a sério sua história, seus sentimentos e dores, Alice Miller chama de testemunha conhecedora.

Procure observar se você valida suas dores e sentimentos, ou se os ignora, como se não fossem importantes. Observe também se valida a dor de seus filhos ou com quem convive. Identifique se suas dores foram validadas quando era criança, ou se foi tratada com indiferença, desprezo, fazendo com que não se sentisse importante. Caso isso tenha acontecido, procure uma testemunha conhecedora, em geral psicólogos, onde poderá contar sua história e ser ouvida verdadeiramente.

Resiliência Humana

Bem-estar, Autoconhecimento e Terapia

Recent Posts

Quantos rostos você consegue ver nesta árvore? Não existe resposta certa — e isso diz muito sobre como você enxerga o mundo

À primeira vista, é só uma árvore comum, com galhos secos e uma copa ampla.…

2 dias ago

“Não tenho tempo! Ele está na escola, então o problema é seu”: professora revela frustração com pais que não desfraldam os filhos

Uma professora primária do sul da Inglaterra decidiu desabafar ao jornal britânico Daily Mail sobre…

2 dias ago

Você se lembra dela? Ela virou sensação nos anos 60 com um programa de TV e, décadas depois, ainda brilha ao lado da própria filha no Oscar

Tem rostos que atravessam gerações sem perder o brilho. Esse é um deles: uma atriz…

2 dias ago

Aos 81 anos, essa atriz nunca recorreu a cirurgia plástica e segue ativa em Hollywood — e é madrinha de uma estrela mundialmente famosa. Você sabe quem é?

Existem carreiras que atravessam décadas sem perder o brilho, e existem atrizes que encaram o…

3 dias ago

Ele foi um dos maiores ídolos teen dos anos 80 — e morreu na pobreza depois de tentar vender os próprios dentes e cabelo. Você lembra dele?

Nos anos 80, era impossível não reconhecer aquele rosto. Poucos anos depois, o mesmo ator…

3 dias ago