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AOS “OIS” QUE DEIXEI DE DIZER

Um tributo a todas as vezes que o receio e a vergonha nos atrapalharam.

Todo mundo, mesmo os mais extrovertidos, às vezes não cumprimentam algumas pessoas que gostariam. As razões para isso são inúmeras, mas cada uma delas dói à sua maneira.

Existe a pessoa que já foi fundamental em sua vida, e, por algum motivo, deixou de fazer parte dela; o amigo que você não vê há tempos, e agora tem receio de que ele não lhe reconheça; os ex-amores e, é claro, as pessoas desconhecidas.

Tem a moça dos olhos bonitos que cruza o seu caminho todas as manhãs; o cara que tem uma camiseta do Pink Floyd igualzinha à sua; a idosa que tem um sorriso doce que lembra o da sua avó…

É apenas uma palavra, são somente duas letras, mas o “oi” não é dito. Não o dizemos porque crescemos e passamos a extinguir algumas simplicidades do cotidiano. Na infância, bastava sentar ao lado de um desconhecido, dizer oi e em pouco tempo compartilhar uma das coisas mais íntimas e profundas do ser humano: a imaginação.

Não havia sequer o medo da rejeição. Não tínhamos o receio de a pessoa ignorar o “oi” ou de simplesmente nos achar verdadeiros idiotas. Com o tempo, contudo, tudo se torna mais complexo. Diria, até, que nos tornamos mais inseguros com o passar dos anos.

E assim, protagonizamos, dia a dia, uma série de desencontros. Talvez, pela falta desses “ois”, amizades, romances e amores verdadeiros deixam de acontecer. Claro que existe a teoria de que aquilo que está escrito para acontecer, realmente acontecerá… Mas às vezes isso soa como uma mera história para que as pessoas se conformem.

Mesmo na internet, existem os “ois” não ditos. Iniciar diálogos, ainda que no mundo virtual, nem sempre é uma tarefa fácil. E aí as interações se limitam às “curtidas”. Há também quem conversa pela internet, mas não se cumprimenta frente a frente. Afinal, interações presenciais parecem cada vez mais difíceis, mais raras…

E como um verdadeiro efeito borboleta, histórias deixam de ser criadas, assim como risadas, confidências e experiências. Por outro lado, às vezes um oi pode não render mais do que alguns minutos de uma boa conversa, mas ainda assim valeria mais do que ser vencido novamente pelos receios, não acha? Poderia ter sido, mas o medo e a vergonha nos travaram.

Bruno Inacio

Bruno Inácio é jornalista e apaixonado por café, literatura, cultura pop e rock clássico. É autor de quatro livros e responsável pela página "O mundo na minha xícara de café", no Facebook, onde publica seus rabiscos (quase) poéticos.

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