Existe um tipo de presença que o tempo simplesmente não consegue apagar. Uma postura serena, um estilo que não depende de excessos, um olhar que carrega história e foi exatamente essa impressão que ficou quando essa atriz lendária dos anos 1970 foi fotografada recentemente caminhando pelas ruas de Nova York, com um tailleur preto discreto e os cabelos grisalhos soltos ao natural.
Poucas estrelas construíram uma imagem tão marcante com tão pouco tempo de carreira intensa quanto ela.
Estamos falando de Ali MacGraw, nascida em 1º de abril de 1939 e hoje com 87 anos. Para boa parte do público, ela será sempre Jenny Cavilleri, a protagonista de “Love Story — Uma História de Amor” (1970), filme que a consagrou mundialmente e deixou uma das frases mais repetidas do cinema romântico: “Amar é nunca precisar pedir desculpas.”
Antes mesmo de “Love Story”, Ali já havia chamado atenção em “Goodbye, Columbus” (1969), papel que lhe rendeu o Globo de Ouro de revelação do ano. Com “Love Story”, conquistou o Globo de Ouro de melhor atriz em filme dramático e recebeu indicação ao Oscar de melhor atriz, tudo isso sem nenhuma formação teatral tradicional, construindo a carreira praticamente só com talento e carisma.
Em 1972, chegou a ser eleita a atriz mais popular do cinema americano, um feito notável para alguém com pouquíssimos filmes no currículo até ali.
Fora das telas, a vida pessoal de Ali também rendeu capítulos marcantes. Foi casada com o produtor Robert Evans entre 1969 e 1973, relação da qual nasceu o filho Josh Evans, em 1971. Depois, viveu um casamento com o astro Steve McQueen, entre 1973 e 1978 — um dos relacionamentos mais comentados de Hollywood na época.
Em meados dos anos 1970, Ali deu uma pausa na carreira, retomando o cinema alguns anos depois com o filme “Convoy” (1978). Mas, ao longo das décadas seguintes, foi se afastando gradualmente dos grandes estúdios.
Desde 1994, vive em Tesuque, no Novo México, para onde se mudou depois que um incêndio destruiu a casa alugada que ocupava em Malibu. Lá, dedica boa parte do tempo à prática de ioga e ao ativismo pelo bem-estar animal, um estilo de vida bem distante do frenesi hollywoodiano que a projetou ao estrelato.
Mesmo longe dos holofotes do cinema, Ali seguiu em atividade: estreou na Broadway em 2006, na peça “Festen”, e voltou a se reunir com Ryan O’Neal, seu par romântico em “Love Story”, numa turnê da peça “Love Letters” entre 2016 e 2017.
Em fevereiro de 2021, os dois receberam, juntos, uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, exatos 50 anos depois do lançamento do filme que os uniu para sempre na memória do público.
É por isso que vê-la novamente pelas ruas de Nova York, décadas depois do auge da carreira, gerou tanto comentário.
Sem nenhum excesso, apenas um look preto bem cortado e uma postura tranquila, Ali reforçou uma lição que atravessa sua trajetória inteira: elegância de verdade não está no brilho ou na exposição constante, mas na forma como cada pessoa decide atravessar o tempo sendo fiel a si mesma.
Dessa maneira, marcando a trajetória de outras lendas do cinema que escolheram uma vida mais reservada depois da fama e de outras estrelas da era de ouro de Hollywood que nunca precisaram de excessos para serem lembradas.
Aos 87 anos, Ali MacGraw segue sendo prova de que a verdadeira elegância não envelhece, só se aprofunda.
Imagem de Capa: Ali Macgraw
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