Comportamento e Psicologia

Andreia Evaristo: “Com meu pai, aprendi a ser forte. Aprendi que a vida é dura”

Há quem diga que pais nunca serão mães. Nunca saberão o que é carregar no ventre o filho em formação, nunca entenderão a dor do parto — que é uma dor de partir, que continua a cada passo mais longe do ponto de origem, porque a cada centímetro que um filho se distancia da mãe, ela sofre um pouco mais. Nunca saberão o que é dar do próprio corpo alimento ao bebê que nasceu.

Sou obrigada a concordar. Meu pai nunca será minha mãe. Com meu pai, eu aprendi a ser forte.

Aprendi que a vida é dura, que as coisas nem sempre serão como eu desejo que elas sejam, que mesmo quando a gente faz tudo certinho e dentro das regras, ainda assim, nada garante que seremos recompensados — mas nem por isso devo desistir de fazer o que é correto, porque não há travesseiro melhor na vida que uma consciência tranquila.

Observando meu pai, aprendi como se troca uma tomada ou um interruptor de luz (muito embora nunca tenha precisado fazer isso na vida). Aprendi que sábados pela manhã são excelentes momentos para consertar o motor do carro – mesmo que os sonolentos que dormem quando o Sol já nasceu não sejam muito favoráveis ao vruuuuum-vruuuuum que ecoa pela garagem. Aprendi que almoços de domingo são mais felizes com o rádio ligado, com Agepê cantando dores de uma África do outro lado do mar. Aprendi que massa epóxi conserta tudo (menos o coração quebrado pelas dores de um passado sem conserto).

Meu pai me ensinou que ninguém vai correr atrás dos meus sonhos por mim, mas que a corrida cansa menos se eu tiver do meu lado gente que me inspire e me apoie. Sempre me instigou a não ser boa — o mundo está cheio de gente boa (ser bom é fazer parte da média). Eu tinha que ser a melhor — não melhor que ninguém, mas a melhor que eu pudesse ser. Mostrou-me que caminhos começam com um primeiro passo, mas é preciso disposição para percorrer toda a jornada, porque só o primeiro passo não é suficiente; que na vida são mais importantes a constância e a perseverança que a velocidade. Ensinou-me a lidar com o dinheiro, mesmo que às vezes eu me descontrole um pouco nesse quesito. Orientou-me a ter fé, mesmo quando tudo parece perdido. Há sempre um arco-íris após a tempestade.

Mais que tudo isso, junto com minha mãe, meu pai me ensinou a amar. Pode ter certeza, pai, que você fez isso da melhor forma que poderia. Amo você, pai. Muitão.

Resiliência Humana

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