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A verdade é que a autoestima não é minha best friend forever

Minha quase melhor amiga. A verdade é que a autoestima não é minha best friend forever.

Quando a coisa aperta fico repetindo, mentalmente ou em voz alta, que está tudo bem, está tudo bem, está tudo bem. Ainda não sei ao certo se isso funciona, mas proporciona alguma segurança.

Nós sabemos que a mente é poderosa, bem como nossos pensamentos.

Por falar neles, inúmeras vezes os danados nos pregam peças. Surgem na calada da noite e perturbam o sono, aparecem sem convite e vão entrando, invadindo a alma, o coração e desestruturando nossos sentimentos.

Na vida, todo mundo quer ter o controle remoto para mudar o canal quando a programação está ruim, chata ou tensa.

O problema é que não temos o controle de nada, nada mesmo. É inútil tentar dominar o amanhã, já que o coitado ainda nem chegou. Não existe hora marcada, as coisas mudam a cada segundo.

O meu maior sofrimento é não aceitar as coisas como elas são.

Tudo é interrogação, mas eu insisto em querer uma garantia.

Sei que apenas uma pequena parte depende de mim.

Peraí, será que é mesmo tão pequena assim?

Se nós colhemos o que plantamos, uma parte imensa depende de mim (concorda?).

São os atos de hoje que vão proporcionar um resultado positivo ou negativo amanhã ou depois.

Por isso, procuro fazer o que posso. Mas tenho consciência que o que posso nem sempre é o melhor. E aí entro novamente num duelo sem fim comigo mesma: como assim não faço o melhor?

Como assim não dou o que há de mais especial e incrível em mim? Quer saber? Não sei se me acho tão incrivelmente especial assim.

Não aceito meus defeitos, duvido de algumas qualidades, volta e meia tropeço na minha autoestima que fica por aí, jogada em algum canto.

Ela sofre, coitada. Sofre de abandono, é uma carente de afeto e colo. Acho que sou meio malvada com ela.

A verdade é que a autoestima não é minha best friend forever.

Muitas vezes esqueço de convidá-la para eventos especiais, nem sempre a recebo com toda a atenção e delicadeza que ela merece.

Erro feio com a coitada autoestima, que merecia tapete vermelho, espumante da melhor qualidade e uma massagem relaxante nos pés.

Prometo tentar melhorar nesse ponto. E em vários outros, afinal, perfeição é uma palavra linda, mas só existe no dicionário.

Clarissa Corrêa

Clarissa Corrêa é escritora e redatora publicitária. Gaúcha de Porto Alegre, tem 6 livros publicados, já foi colunista do caderno Donna (jornal Zero Hora) e da revista Tpm. Também já contribuiu com diversos sites femininos. Clarissa já participou do programa Encontro com Fátima Bernardes e seu livro “Para todos os amores errados” já esteve na lista dos mais vendidos diversas vezes. Observadora, além de escrever sobre as coisas de dentro, também trabalha com desenvolvimento pessoal.

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