Essa semana uma pessoa muito querida da minha família faleceu. Por mais que eu não fosse muito próxima, fiquei abalada. Foi tudo muito rápido e me fez refletir bastante sobre a fragilidade da nossa existência.
Durante a correria do dia a dia dificilmente nos deixamos desestabilizar com reflexões sobre a finitude da vida. E se ficássemos pensando apenas nisso não viveríamos. No entanto, em alguns momentos nos pegamos mais quietos e pensativos, justamente porque certos acontecimentos em nossas vidas nos obrigam a tal.
Os últimos dias foram assim para mim. Fiquei pensando em como hoje podemos estar bem e amanhã sofrer um acidente fatal ou descobrir uma doença sem cura. É muito chato pensar assim, mas é a realidade. Nunca sabemos se estamos vivendo nosso “último dia bom”. E por “último dia bom” quero dizer último dia com saúde, pois esse é o pré-requisito para fazermos qualquer coisa.
A nossa existência é tão frágil, é quase um sopro. No fim, temos todos as mesmas fraquezas, as mesmas dificuldades, os mesmos obstáculos.
O fim de todos é exatamente igual. O que muda é o significado que damos para a nossa existência ao longo da jornada da vida. O nosso corpo é apenas uma carcaça – quem somos realmente está em nossos pensamentos e sentimentos. Nosso corpo apenas materializa quem somos.
No fim de tudo, ele se decompõe e perde o significado. O que fica na memória das pessoas são as nossas ações, nossas palavras, nossos pensamentos. Isso é o que vale. Isso não é sopro, pois se vivermos uma vida realmente com significado então deixaremos uma marca quando nosso corpo se for, mas nosso espírito permanecer.
Foi nisso que fiquei pensando essa semana. Toda vez que me pego reflexiva em relação à finitude da vida, penso se estou trilhando o caminho que faz mais sentido para mim. Se estou lutando pelo o que acredito. Se estou vivendo o meu propósito. Não quero chegar no fim da minha vida pensando que nada teve significado e apenas segui o rebanho.
É claro que nem sempre tudo sai como queremos e quando queremos, mas ter a certeza de que estou trilhando um caminho significativo traz um pouco mais de leveza quando me pego pensando que, infelizmente, qualquer dia pode ser o meu “último dia bom”.
Minha tia avó, Mariinha, teve seu “último dia bom” há pouco tempo. Que tristeza. A vida nunca parece ser longa o suficiente, mas tenho certeza de que ela deixou muitas ações memoráveis e pensamentos bonitos para aqueles que conviviam diariamente com ela.
Esse texto é dedicado a ela, que sempre foi uma pessoa muito especial e querida. Tenho certeza de que a sua existência teve um significado lindo e poderoso, que continuará permeando a vida de todos. Descanse em paz
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