A velhice não tem que ser respeitada por uma simples política cultural de educação ou de dever. A velhice tem que ser respeitada pelo simples fato de que um dia também seremos idosos.
O idoso tem que ser respeitado pelo fato óbvio de que tem mais conhecimento devido a sua experiência, a sua cognição. Eu vivo a minha vida hoje, organizando-a para uma boa velhice, pois é nela que irei descansar e abandonar todo o fardo que carreguei em toda a minha vida. O conhecimento e a leveza do pensamento da história que carrega um idoso é algo que não tem preço e nem dimensão. É sem dúvida a melhor idade.
1- Cuidar do corpo
A nossa forma e bem-estar físico são essenciais para que possamos viver plenamente essa nova fase. Uma boa movimentação é o primeiro passo para uma velhice mais feliz. Por essa razão devemos cuidar do corpo exercitando-o dentro da nossa resistência e capacidade. Exercícios de baixa intensidade, como caminhadas ou natação, são bons aliados. A atividade física deve ser acompanhada por uma alimentação equilibrada, adequada à idade e às necessidades do indivíduo.
2- Cuidar da mente
Se o corpo é essencial, a mente é uma peça-chave. Como já diz o velho ditado: “mente sã em corpo são”, a plenitude atingida pelo equilíbrio do corpo e da mente. As nossas capacidades cognitivas entram em decréscimo, mas podemos travar o processo mantendo exercícios cognitivos constantes. Aliar a aprendizagem de uma nova atividade que sempre quisemos fazer mas nunca tivemos tempo ou disponibilidade torna todo o percurso mais prazeroso. Aprender uma língua nova, capacitar-nos nas áreas das novas tecnologias, ler, ver filmes, pintar, escrever… existe um mundo inteiro de possibilidades.
3- Ter uma vida social ativa
A vida social é muito importante para manter o idoso ativo e integrado num mundo social. A velhice não deve nunca significar isolamento ou solidão. Manter um grupo de amigos e partilhar atividades com eles é muito importante para ter uma vida mais completa, feliz e recheada de partilha. Fazer um jantar ou viajar são sempre excelentes opções. Aproveitar essa fase para conhecer novos países e culturas, sem pressa, adquirindo, assim, mais conhecimento. Viver uma vida que o faça ter interesse em viver efetivamente! Uma vida em que se anseie o próximo dia, como uma dádiva, como uma nova oportunidade.
4- Adaptar -se
Se o envelhecimento for feito em casal, tenha certeza de que a vida íntima não acabou. Há novas realidades, reajustes a serem feitos, redescobertas, uma nova fase no amor. O casal terá agora mais tempo para compartilhar, descobrir novas formas de união e prazer. Não se negue uma vida íntima culpando a idade. Essa fase pode ser como uma nova adolescência, vivendo um para o outro, um com o outro, aproveitando o mundo juntos, criando memórias e tornando os dias leves e serenos. Velhice não significa resignação.
5- Aceitar a nova fase
As mudanças que efetivamente acontecem devem ser aceitas de mente e coração abertos para que tudo se torne menos pesado. Não devemos encarar a velhice como um fim, mas como uma nova oportunidade de viver um tempo de qualidade. Cada dia não deve ser visto como um dia a menos, mas, sim, como um dia a mais em que puderam ser, viver, experienciar, criar, estar presente na vida familiar. É a fase em que não devemos nos ver como um fardo, mas como um pilar, uma fundação, a consolidação do conhecimento e da experiência. Devemos reconhecer a nossa importância e posição. Como se costuma dizer: a idade é um posto! Vivemos o suficiente, sobrevivemos às provações e dificuldades, rimos e choramos, vimos nascer e morrer, superamos a perda e explodimos de alegria em muitas ocasiões. Somos agora, por si só, heróis por mérito de uma vida que ainda nos tem muito para oferecer!
*texto de Fabiano de Abreu – Doutor e Mestre em Psicologia da Saúde pela Université Libre des Sciences de l’Homme de Paris; Doutor e Mestre em Ciências da Saúde na área de Psicologia e Neurociência pela Emil Brunner World University;Mestre em psicanálise pelo Instituto e Faculdade Gaio,Unesco; Pós-Graduação em Neuropsicologia pela Cognos de Portugal;Três Pós-Graduações em neurociência,cognitiva, infantil, aprendizagem pela Faveni; Especialização em propriedade elétrica dos Neurônios em Harvard;Especialista em Nutrição Clínica pela TrainingHouse de Portugal.Neurocientista, Neuropsicólogo,Psicólogo,Psicanalista, Jornalista e Filósofo integrante da SPN – Sociedade Portuguesa de Neurociências – 814, da SBNEC – Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento – 6028488 e da FENS – Federation of European Neuroscience Societies-PT30079.
E-mail: deabreu.fabiano@gmail.com
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