UMA REGRA: PESSOAS NÃO AMAM PESSOAS DISPONÍVEIS.

Cris Souza Fontes

Outro dia, um jovem rapaz me procurou através de minha página no Facebook e me fez algumas perguntas a respeito de um artigo que eu havia escrito já há um tempo. Segundo ele, estava vivendo um momento muito complicado e encontrou meu artigo em algum lugar, que serviu muito pra ele. Porém, nada como conversar com quem escreveu e perguntar diretamente: “O QUE EU FAÇO?”

Ele havia se afastado da namorada a pedido dela que alegava não o amar mais. Admito que engoli seco pensando: “se eu falar alguma besteira eu posso levar esse garoto a cometer uma besteira maior ainda!” Muita responsabilidade, eu sei. Mas a conversa fluiu assim que ele me explicou os detalhes de sua relação. Ele a amava, no entanto ela, por diversas vezes disse-lhe não amá-lo e nem sentir coisa alguma ao beijá-lo.
Santo Deus!
Sempre que falamos de amor-próprio é justamente por isso aí! Por que somos tão tolos ao ponto de ignorarmos os sinais, os fatos tão óbvios porque achamos que a pessoa pode não estar falando sério ou passando por uma fase confusa que não sabe direito o que sente…? Venha cá! Mesmo que o outro esteja confuso não lhe dá o direito de dizer, de jogar na sua cara que não sente nada ao te beijar e que ACABOU! Tudo isso por que ainda estamos lá, com as mãos por baixo caso a pessoa tropece, pegando lencinhos de papel caso ela chore e arrumando a cama quando ela sentir sono. Nossa falta de amor por nós mesmos nos leva a um grau de submissão e cegueira que é tão absurda que quando, meses depois, anos depois, despertamos desse transe, ficamos a nos perguntar: “por que perdi tanto tempo sendo um estúpido se nada adiantou?”
O que me pira, na verdade, é o fato de mesmo a pessoa dizendo que não ama mais, que quer viver outras histórias, ela volta e te procura. Sim, te procura! Te atazana a vida, te perturba, não te deixa dormir e tão pouco esquecer! Manda mensagens pedindo desculpas e explicando algo que não tem mais o que explicar! Mas por que?
É duro dizer, mas, temos o péssimo defeito de não querer e também não deixar o outro ir. “É, eu não quero que ele vá, ele estende tapetes para mim, me cobre antes de dormir, lava minhas louças e até arruma meu cabelo! Como assim vou deixar esse cara ir? Se eu o amo? Claro que não! Mas não me imagino sem alguém lambendo meus pés…”
Fim.
E você fica aí, feito um bobo aceitando as idas e vindas de uma pessoa que mal sabe o próprio nome. Você fica aí, aceitando, esperando que um dia, quem sabe, ela venha te amar como você a ama. Só que não, meu amigo, só que não… As pessoas não amam os disponíveis! Amamos quem não podemos ter, quem não se arrasta atrás de nós, quem complica nossa vida! Algumas pessoas nasceram para idolatrar gente assim, não um cara bom como você.
Então, a resposta é sim. Deixa ela sentir sua falta, saber que não é tão disponível assim e que é feliz e ocupado sem estar ao lado dela. Deixa que ela perceba que você é bem capaz de viver sem ela e MUITO BEM, se quer saber! Quando nasceu, nasceu grudado com essa outra pessoa? Quando enfrentou a primeira ida na escola, o primeiro beijo, o primeiro emprego ou a primeira decepção, você se recuperou sozinho ou precisou dela?
Uma hora, acredite, você encontrará alguém que saberá amá-lo da forma que é e receber toda essa dedicação com o mesmo amor sem que pareça um servo abanando penas para a Rainha do Egito!
Enquanto não chega, vai viver sua vida. Vai distribuir amor, mas para quem realmente sabe o que quer e como quer.
Boa sorte!
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Cris Souza Fontes
Escritora, blogueira, amante da natureza, animais, boa música, pessoas e boas conversas. Foi morar no interior para vasculhar o seu próprio interior. Gosta de artes, da beleza que há em tudo e de palavras, assim como da forma que são usadas. Escreve por vocação, por amor e por prazer. Publicou de forma independente dois livros: “Do quê é feito o amor?” contos e crônicas e o mais espiritualizado “O Eterno que Há” descrevendo o quão próximos estão a dor e o amor. Atualmente possui um sebo e livraria na cidade onde escolheu viver por não aguentar ficar longe dos livros, assim como é colunista de assuntos comportamentais em prestigiados sites por não controlar sua paixão por escrever e por querer, de alguma forma, estar mais perto das pessoas e de seus dilemas pessoais. Em 2017 lançará seu terceiro livro “Apaixonada aos 40” que promete sacudir a vida das mulheres.

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