Muito pior do que um inimigo explícito é um falso amigo!

Sílvia Marques

Estar feliz é o que mais queremos. Cada um tem um conceito de felicidade. Para alguns é viver o amor plenamente. Para outros é ter filhos. Para algumas pessoas é usufruir de muito tempo livre para descansar. As definições não param por aqui… muitos precisam de um mix de condições para se sentirem realmente bem. Mas, o objetivo deste artigo, não é explicar o que é a felicidade, mas sim dizer que independente da visão de mundo de cada um e das nossas prioridades, fica muito complicado estar feliz com gente nos sabotando a todo momento.

Sim, algumas pessoas criam pequenas armadilhas para sabotar a felicidade alheia, para inviabilizar a vida das outras pessoas. Nunca temi os inimigos explícitos como temo os falsos amigos.

Sim, muito pior do que um inimigo explícito, é um falso amigo. É uma pessoa que se enfronha em nossa intimidade, que toma conhecimento de informações importantes e que as utiliza para criar pequenos infernos na vida dos outros. Quem nunca conheceu alguém assim deve se considerar muito sortudo. Quem nunca agiu como um falso amigo, deve se sentir muito feliz.

Algumas pessoas mesmo sendo gentis e bastante educadas, deixam claro, por meio de meias palavras, gestos sutis e muitas omissões que não entraram em nossa vida para torná-la mais feliz. Quantas pessoas que dizem gostar da gente, não injetam dúvidas e mal estar por meio de comentários aparentemente despretensiosos?

Em quantos almoços de família ou reuniões entre amigos, não encontramos pessoas que sutilmente desmerecem as realizações profissionais dos outros? Em quantos almoços de família ou reuniões entre amigos, não encontramos pessoas que, por meio de brincadeiras, ou por meio de conselhos, não nos desmotivam ou não lançam sombras sobre o nosso relacionamento amoroso ou sobre qualquer projeto que queiramos pôr em prática?

Não digo que todo conselho seja negativo e que toda brincadeira seja maldosa. Sim, existem bons conselhos de fato e brincadeiras para descontrair apenas, sem nenhuma segunda intenção. Mas, se a gente parar para prestar atenção, perceberemos que algumas pessoas, pouco ou nada agregam de bom em nossa vida. Perceberemos que algumas pessoas , mesmo sendo gentis, em nada nos ajudam, que nada de fato compartilham com a gente e que se mantém por perto como uma força desagregadora ou simplesmente para obter alguma vantagem. Muitas vezes, algumas pessoas desejam algo material ou energético que podemos oferecer. Mas, em muitos casos, algumas pessoas demonstram uma amizade ou carinho, para criarem situações que venham a estragar a alegria alheia.

Quantas pessoas não se aproveitam do status de amigo para destruir a relação amorosa de alguém do grupo?

Quantas pessoas não se aproveitam do status de amigo para destruir a determinação de alguém mais inteligente e talentoso? Quantas pessoas não se aproveitam do status de parente para pedir favores absurdos, como altas quantias em dinheiro que nunca serão pagas, hospedagens por tempo indeterminado ou o caso inverso: interferem na vida pessoal do parente, determinando como ele deve viver, por “apoiá-lo” financeiramente? Quantos parceiros amorosos não minam a autoconfiança do cônjuge apenas para mantê-lo servil?

Não digo que devemos desconfiar de tudo e de todos a todo momento. Nem defendo a ideia de que estão sempre fazendo uma conspiração. Apenas alerto para o perigo das falsas amizades. Sim, elas existem. Apenas peço para prestarem mais atenção nas pessoas que estão ao redor e fazerem um balanço das relações sociais. Quando uma pessoa está sempre relacionada a momentos estressantes, a compromissos cancelados na última hora, a comentários que nos tiram o sono, a piadas que nos fazem duvidar do nosso potencial, fique atento.

Quando um parente só te liga para pedir favores, quando um parente que te ajuda financeiramente vive te colocando em saias justas, quando um amigo inviabiliza o seu relacionamento amoroso, quando o seu relacionamento amoroso poda a sua individualidade, tome cuidado.

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Sílvia Marques
Viciada em café, chocolate, vinho barato, filmes bizarros e pessoas profundas. Escritora compulsiva, atriz por vício, professora com alma de estudante. O mundo é o meu palco e minha sala de aula , meu laboratório maluco. Degusto novos conhecimentos e degluto vinhos que me deixam insuportavelmente lúcida. Apaixonada por artes em geral, filosofia , psicanálise e tudo que faz a pele da alma se rasgar. Doutora em Comunicação e Semiótica e autora de 7 livros. Entre eles estão "Como fazer uma tese?" ( Editora Avercamp) , "O cinema da paixão: Cultura espanhola nas telas" e "Sociologia da Educação" ( Editora LTC) indicado ao prêmio Jabuti 2013. Sou alguém que realmente odeia móveis fixos.

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