Ela se sentiu mais bonita e correu 42 km após vencer o câncer: “Foi o recomeço de tudo”

Resiliência Humana

Déborah Aquino, 42 anos, é uma destas pessoas que inspiram qualquer pessoa, independente dos problemas que ela esteja enfrentando no momento. Mãe, esposa, dentista por formação, corredora por paixão e atualmente “Positive Coach”, ela foi diagnosticada com câncer de mama em 2013.

A doença representa o segundo tipo mais incidente nas mulheres no mundo todo. De acordo com o INCA (Instituto Nacional de Câncer), ele representa 28% dos novos casos de câncer por ano. As etapas do tratamento contra os tumores malignos afetam o corpo da mulher de diversas formas, desde a queda dos cabelos à remoção das mamas.


Estes efeitos podem comprometer a sua autoestima, sua relação com o espelho e com a sociedade, mas, dentre tantos casos, há histórias de superação incríveis que servem de exemplo para que estas mulheres diagnosticadas sintam-se sempre belas, por dentro e por fora, e para que enxerguem suas vidas com um novo olhar. Essa é a história de Déborah.

A partir do diagnóstico, ela sabia que a doença provocaria muitas mudanças em sua vida, mas além disso, ela passou a promover uma mudança positiva nas vidas de outras pessoas, especificamente nas das mulheres que, assim como ela, vivenciam ou vivenciaram o câncer.

Descoberta do câncer

Em 2013, por oito meses, Déborah acompanhou nódulos benignos que apareceram em suas mamas e ficou inquieta com a situação. “Achei muito esquisito porque em cada exame que eu fazia, os nódulos aumentavam de número e não de tamanho. Para os médicos, isso era normal, mas tinha uma vozinha que me falava: vai atrás que você tem alguma coisa”, diz.

A carioca, que vive em São Paulo, fez uma grande viagem internacional e quando retornou procurou um mastologista para examiná-la (especialista que a operaria mais tarde).

Na época, ela realizou mais uma ressonância e descobriu que os quatro nódulos que existiam em abril haviam se multiplicado para 12 no mês de novembro. Feita a biópsia veio a notícia de que cinco destes nódulos eram malignos.

Vaidade durante o tratamento

Em 2014, Déborah iniciou sua jornada que iria de janeiro a setembro, vendo seu corpo e sua mente mudarem de diversas formas. Vaidosa, as dúvidas e os medos em relação à remoção das mamas e à queda dos cabelos se fizeram presentes.

Para ela, em um primeiro momento, a questão dos seios foi a mais complicada de aceitar já que, em 2010, ela havia passado por um procedimento estético de mamoplastia de aumento, mais conhecido como implante de prótese de silicone.

“Eu tinha uma relação de amor com meus seios. Rodei sete cirurgiões plásticos em São Paulo até encontrar o meu. O implante de silicone após a retirada da mama foi superbem feito, mas não fica a mesma coisa. Muita gente diz: ‘O que é um peito? Você está viva!’. Mas o seio é o símbolo da feminilidade. Acho que não cabe falar para uma mulher que está passando por isso que peito é o de menos, porque não é”, afirma.

Déborah passou por um procedimento de adenomastectomia bilateral, cirurgia em que, diferente da mastectomia, somente as glândulas mamárias são extraídas, preservando a pele e os mamilos da paciente. Superada esta etapa, chegou a hora da quimioterapia e da radioterapia. Na época, ela mantinha as madeixas compridas, mas para se acostumar com o visual que ganharia em poucos dias, decidiu abrir mão dos fios longos.

“Eu sou superpositiva. Quando descobri que estava com câncer nem pensei que faria quimioterapia, mas já que foi necessária, primeiro cortei o cabelo chanel. Não queria aquele choque de ter cabelo grande e depois aparecer careca, principalmente por causa da minha filha que, na época, tinha três anos. Mas 15 dias depois meu cabelo começou a cair de vez e eu raspei a cabeça”, diz.

Déborah costuma dizer que o câncer, para ela, foi um presente. Passar por todas estas transformações fez com que mudasse sua forma de lidar com vários aspectos de sua vida, inclusive a vaidade.

“Um dos ensinamentos que tive com o câncer foi trabalhar a minha vaidade, que era excessiva. Todos os dias eu me olhava no espelho nua e crua, e me perguntava quem eu era sem cabelo, sem maquiagem, sem lenço, sem nada. Foi nessa que eu descobri quem eu realmente era por dentro, minhas qualidades, minhas virtudes, meus defeitos e minhas fragilidades, que antes eu não percebia”, diz.

Seu marido, Fábio Aquino, não só a apoiou como acompanhou de perto cada etapa do tratamento de Déborah. Ele ajudou para que ela trabalhasse sua autoestima e enxergasse sua real beleza. “Em uma consulta com um cirurgião plástico, eu disse que não queria ficar com o peito torto, quando [Fábio] me falou: ‘Dé, eu te enxergo muito além do peito. Isso, para mim, não é um problema’. Foi quando eu relaxei em relação a isso. Ele me deu muita segurança. Já quando eu raspei a cabeça, ele disse que fiquei muito bonita careca e não gostava que eu usasse peruca”, relata.

Depois de tantas mudanças, Déborah afirma que nunca se sentiu tão bonita: “É engraçado que quando olho minhas fotos antes do câncer, parece que ali é outra pessoa, que também é diferente internamente, então agora me acho muito mais bonita do que antes”, afirma.

Correndo, vivendo e inspirando outras pessoas

Atualmente, Déborah está em remissão, período em que o paciente sem evidência de câncer fica em observação para evitar o retorno da doença. Ela faz uso de um bloqueador hormonal e acompanhamento médico, com exames a cada seis meses. Já a sua filha, Maria Eduarda, que hoje está com sete aninhos, agora entende a situação pela qual a mamãe passou e faz terapia para trabalhar as dúvidas que surgem sobre o assunto.

No que diz respeito à sua vida profissional, a carioca possui uma página pessoal que iniciou devido à paixão pela corrida, o Blog da Debs, onde compartilha suas experiências esportivas. Déborah também é sócia de uma marca de roupas e divide a sua rotina com as palestras motivacionais. Ela se formou em coaching e leva a sua positividade para milhares de mulheres que vivem ou vivenciaram o câncer de perto através das suas histórias emocionantes, como a de sua primeira corrida após vencer a doença.

“A primeira corrida que considerei efetivamente após o tratamento foi a maratona de Boston, nos Estados Unidos, em abril de 2015. Foi maravilhoso! Encerrei um ciclo da minha vida, correndo 42 km. Senti que ali foi o recomeço de tudo”, recorda.

Para quem acabou de receber o diagnóstico da doença, Déborah diz que uma das melhores alternativas para lidar com a situação é aceitar as mudanças, as suas fragilidades e viver o presente.

“Na época que eu tive câncer, achava que tinha que passar por cima de tudo igual a um furacão, mas dez meses depois do meu tratamento, percebi que eu não me permiti viver o luto do peito, o luto do cabelo, a tristeza de ter perdido as minhas sobrancelhas, de ter engordado por causa do corticoide, de não poder correr. Então, o meu conselho é: permita-se viver a tristeza, mas tenha a certeza de que isso é apenas um momento e vai passar, que logo você estará bem, com cabelo, com sobrancelha e tudo mais”, diz.

Já para quem superou o câncer, Déborah aconselha que reflita sobre o que aprendeu diante desta situação e que olhe-se com mais carinho.

“O que eu percebo durante as conversas nas palestras ou no meu blog é que as mulheres que venceram o câncer têm uma ‘neura’ de que pode acontecer novamente, mas elas devem tirar a lição diante de tudo o que aconteceu e voltar a viver normalmente”, finaliza.

FONTEVix
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