[Divã DR] Eu odeio o meu corpo

Marina Barbieri

Da caixa de e-mail do Deu Ruim:

“Boa noite! Eu estou tendo probleminhas que nada tem me ajudado, leio coisas motivacionais e nada me motiva. Eu não gosto do meu corpo. Já tentei mudar ele através de exercícios e dietas, mas nada parece funcionar. Eu não gosto do que eu vejo no espelho e isso acaba me atrapalhando para ter relações sexuais. Não me sinto segura para me despir na frente de outra pessoa e muito menos fazer algumas posições que possam vir a me deixar “exposta” para ele me ver. Não estou em um relacionamento e não consigo pensar em fazer sexo casual e nem entrar em um devido á esse problema. Eu me acho bonita, mas só de rosto.

Eu não gosto especificamente da minha barriga, a chamo de “pochete” e das famosas celulites. As estrias já me acostumei com a presença delas, como sou muito branquinha elas não aparecem muito. Eu também não devo me importar com o que o meu parceiro acha, mas eu simplesmente não consigo. O que vemos nas revistas também não ajudam de nada a vermos nossa própria imagem melhor. Eu estou meio desesperada com essa situação e fico sempre triste quando me olho no espelho.“

Marina responde:

Querida Eu odeio meu corpo,

antes de começarmos a falar sobre o seu problema, te aconselho a procurar ajuda profissional. Não importa o que eu escreva para você, eu não fiz faculdade de psicologia, eu não estudei anos para poder te ajudar profissionalmente, eu não tenho capacidade de te aconselhar da forma como você realmente merece. Então já sabe, né? Procure um psicologo. Talvez não no primeiro que você for, mas uma hora achará o profissional ideal para conseguir te ajudar a lidar com esse problema de auto estima.

Agora vamos lá.

Acredito que o seu problema não seja o seu corpo mesmo. E é por isso que nenhuma dieta ou exercício nunca funcionou e nem nunca funcionará. O seu problema está dentro de você, e não fora.

O seu problema é a forma como você se enxerga e como cobra uma perfeição inatingível, impossível.

Existe uma frase célebre da Cindy Crawford que quando questionada sobre sua aparência sempre tão impecável e perfeita nas revistas de moda, disse “Eu queria me parecer com a Cindy Crawford”.

Pois é, todas aquelas fotos que vemos diariamente nas revistas, comerciais de TV, e etc, não são a realidade daquelas pessoas. Artifícios como photoshop, luz, maquiagem, ângulo, tudo, absolutamente tudo, é usado para disfarçar a verdade.
E a verdade é uma só: somos seres humanos. E seres humanos são imperfeitos por natureza.

O padrão de beleza que tentamos atingir é cruel e humanamente impossível. Se forcarmos nossas energias em alcançar algo impossível, deixaremos de aproveitar os momentos bons da vida por pura paranoia.

Você vai deixar de se divertir na praia ou piscina com os seus amigos porque estará ocupada demais pensando em como a sua barriga fica naquele biquíni.

Você vai deixar de ter uma transa fantástica com alguém que está doido de tesão pelo seu corpo porque estará preocupada demais achando que essa ou aquela posição evidencia uma gordurinha a mais.

Você vai deixar de sair para a festa do ano porque o vestido que você comprou marcou demais a sua bunda.
Você vai deixar de usar um shortinho no verão porque acha que as suas coxas ficam cheias de celulite nele.
Você vai deixar de viver por motivos que no final das contas não importam.

Não levamos nada daqui, minha querida. Nem mesmo nossos corpos. Eles viram comida de barata. Ou com sorte, viram pó.
Damos importância demais a eles, quando na verdade eles são apenas frágeis cascas que protegem o que importa: nós mesmos.

Enxergue que você não é o seu corpo. Você é além.

A vida é tão mais do que isso. A vida é tão mais do que nossas cobranças, nossas paranoias, nossas exigências absurdas. A vida é para ser aproveitada. A vida é para ser vivida. Ela é curta e passageira. Enquanto você está preocupada demais com paranoias irreais, os ponteiros do seu relógio da vida estão andando.

Não sabemos quanto tempo ainda temos. Então é melhor que aproveitemos cada minuto, cada segundo.

Ou você faz logo algo por si mesma, e procura uma ajuda profissional, ou quando se der conta de tudo isso, pode ser tarde demais para de fato começar a viver.

Olhe para a sua vida. Olhe para si mesma. Perceba todo o potencial que você tem para ser feliz, para fazer algo por si e pelos outros. Perceba que tudo está sendo jogado fora, por algo que você mesma inventou na sua cabeça. Você não está vivendo de verdade. Você está apenas sobrevivendo.

Já passou da hora de você viver, não é?

Eu não posso resolver o seu problema em um passe de mágica. Ninguém pode. Mas eu posso te encorajar a procurar quem realmente possa te ajudar. E claro, estou a distância de um e-mail. Você sabe como e onde me procurar.

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Marina Barbieri
Aprendeu a ler antes mesmo de conseguir segurar um livro e descobriu neles o que queria fazer para o resto da vida. Além do blog cuida de 3 gatos e é autora do livro “Fique com alguém que não tenha dúvidas”, lançado pela editora Única.

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