Como o mito de Jonas pode orientar a busca pelo seu propósito

Resiliência Humana

Jonas decidiu ir pro lado oposto de onde deveria ir. Será que você está fazendo a mesma coisa com seu propósito?

Sempre que falo sobre propósito me vem a mente a história bíblica de Jonas. Ele era um buscador da verdade que dedicou sua vida a se unir a Deus. Em suas orações, pedia constantemente que o Supremo aparecesse para ele e lhe desse suas bençãos. Quando Ele finalmente se manifestou dentro de Jonas, a verdade apareceu. Em suas orações, ele escutou a voz do Divino lhe mandando para a cidade de Nínive, para que pudesse salvar as pessoas daquele lugar. E mesmo com a orientação clara, Jonas decidiu ir para a cidade em sentido oposto, chamada Társis.

Em outras palavras, ele se negou a colocar seus dons em movimento porque tinha ressentimentos com aquele povo e não queria que eles se salvassem. Ao contrário, esperava que Deus castigasse a todos, porque no fundo, dentro de si, ele guardava um sentimento de vingança, uma ferida aberta em relação aquele povo. Diante da situação, Jonas julgou a voz de Deus dentro dele acreditando que ele não estava sendo justo porque os moradores de Nínive mereciam sofrer.

“Uma das formas preferidas que a entidade humana encontra para tentar punir o outro por não ter sido amada, ou por ter sido impedida de manifestar a sua espontaneidade, é se punindo. A forma que a entidade encontra para punir o mundo é sendo infeliz.”

É assim com todo aquele que carrega dentro de si uma ferida aberta. Se você carrega um espinho cravado na sua carne e isso está infeccionado, uma das maneiras que você encontra para manifestar a sua revolta por ter sido machucado é fechando o coração, é não permitindo que o amor flua através de você por meio de seus dons e talentos. Uma das formas preferidas que a entidade humana encontra para tentar punir o outro por não ter sido amada, ou por ter sido impedida de manifestar a sua espontaneidade, é se punindo. A forma que a entidade encontra para punir o mundo é sendo infeliz. Ela se vinga do mundo sabotando a sua própria felicidade mantendo seus dons e talentos trancados dentro do coração. Porque se você for feliz e colocar seus talentos em movimento, você inevitavelmente vai ser feliz, e se for feliz, o outro também vai ser feliz.

Neste exemplo eu lhe pergunto: quem você não quer que seja feliz?

Honestamente, porque da boca para fora, todo mundo quer que todo mundo seja feliz. O que você sente em relação a sua mãe, ao seu pai, a sua constelação familiar? Você quer que seus pais sejam felizes vendo que você deu certo na vida? Ou você prefere dar errado para mostrar pra eles como estavam errados e te fizeram sofrer? Se esse é o seu caso, pergunte-se ainda: o que vai ser de você sem essa guerra? Porque o que está dando sentido para a sua vida é acreditar nessa guerra.

A vida em si não tem sentido, você dá a ela um sentido, seja ele dharmico, quando coloca seus dons em movimento, ou karmico quando está a serviço desse pacto de vingança. E estando atado pelas teias do karma, muitas vezes você não consegue ver outro sentido para a vida que não seja a guerra, mesmo que ela promova um grande sofrimento e te leve para a escuridão. Acontece que nesse emaranhado, a escuridão é sua referência de identidade, e novamente, você terá que se perguntar: sem essa vingança o que sobra na sua vida?

Muitas vezes para poder transitar desse prazer negativamente orientado para o prazer positivamente orientado, você tem que saltar no desconhecido, nesse lugar onde não existem referências de identidade. É um mergulho para encontrar a chave que trancou seu coração lá atrás, por conta de mágoas e ressentimentos passados. É um mergulho para criar condições para o florescimento do perdão e renúncia desse vício de se vingar. Para isso você vai precisar confiar na justiça Divina. Vai precisar abrir mão dessa crença que você tem que fazer justiça com as suas próprias mãos.

“A vida em si não tem sentido, você dá a ela um sentido, seja ele dharmico, quando coloca seus dons em movimento, ou karmico quando está a serviço desse pacto de vingança”

Seguindo com a história de Jonas, quando ele decidiu pegar o caminho oposto que Deus lhe recomendou e ir para Társis, escolheu entrar em um barco clandestinamente e ir dormir no porão. O barco seguiu para o mar e enfrentou uma grande tempestade. Enquanto todos a bordo estavam em completo desespero, Jonas dormia profundamente. Essa é a maneira que encontramos para fugir do propósito: dormir. Anestesiar-se e amortecer nossas sensações e sentimentos. E cada um se amortece de uma maneira muito particular. Como é que você amortece o seu sistema? Comida? Droga? Poder? Como?

O fato é que mesmo escolhendo dormir, em algum momento o sofrimento te fará acordar, ou o seu próprio sofrimento ou o sofrimento do entorno. No caso de Jonas, foi o desespero da tripulação, que decidiu consultar os dados para descobrir o porque o mar estava tão furioso. Descobriram que era por conta de um estranho a bordo – ele, Jonas – que imediatamente foi lançado no mar pela tripulação e engolido por um monstro. Foi então que, dentro do estômago do monstro, ele lembrou-se de Deus e começou a orar novamente. Deus se manifestou mais uma vez: “Jonas, vá para Nínive”.

O estômago do monstro é o lugar de purificação, é uma metáfora para essas situações repetitivas que acontecem na sua vida aonde você se vê sem saída.
Você tenta o sucesso, mas só encontra o fracasso. Tenta se unir e se sentir pertencendo, mas inevitavelmente se sente separado e isolado, porque está na mão contrária. Deus está querendo que você vá para Nínive e você está indo para Társis. Por que você está indo para o caminho contrário? Por que você se nega a partilhar seus dons para o mundo? Por que você está guardando o seu ouro espiritual no cofre? Por que o seu coração está trancado?

Quem não conhece Sri Baba pode assistir o vídeo:

Eu sei que às vezes antes de perdoar, você precisa primeiro botar sua raiva para fora, porque esse perdão não vai nascer de um lugar que está contaminado de raiva. Primeiro você tem que purificar o coração e depois, naturalmente, o perdão vai surgindo. Por isso estou sempre aqui, repetidamente te convidando a olhar nos olhos daquele que compõem a sua constelação familiar, todos aqueles do seu passado com quem você ainda tem contas abertas, e ter coragem de deixar essas contas pra trás.

Tenha coragem de renunciar a guerra, nem que para isso você tenha que pôr para fora todos os seus protestos que estão guardados. Ainda assim, tenha coragem. Torço para que você consiga se purificar e se tornar canal de puro amor.

FONTESri Prem Baba
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