As duas palavras que podem salvar o mundo: bom senso

Estela Meyer

Duas palavras, mas que poderiam até ser resumidas em uma só: sensatez.

Eu fico pasma ao ver em pleno século XXI certos comportamentos, mas evito julgar, pois um dia já fui eu aquela que buzinava enlouquecida no trânsito. Hoje ainda me irrito quando alguém demora muito pra atravessar a rua ou corta minha frente, mas procuro me conter, respirar e ficar na minha, pois estamos todos neste mesmo barco chamado Terra.

Ponderar, analisar e ver as situações em um âmbito maior, pensar antes de agir e principalmente ter empatia verdadeira (e não apenas projeções) é o ouro do comportamento humano e pode salvar a convivência em qualquer lugar. No trabalho, na rua, nos relacionamentos. O bom senso pode sim salvar o mundo.

Uma pessoa sensata não acelera quando o outro carro está passando. Não joga lixo no chão. Não aceita propina. Não abusa do consumo só porque é de graça. Sabe a hora de baixar o volume. É flexível no trânsito e na vida pois sabe que há outro ser humano ali.

Sim, todo mundo tem seus dias nublados, aqueles que nem gostaria de ter saído de casa. E é nesses momentos que somos mais testados pra manter a calma.

Talvez se essas palavrinhas fossem nos apresentadas na escola (ou já desde muito cedo) quem sabe o mundo como a gente vê hoje fosse um pouco melhor. Não é preciso ser duro, reto e chato. Não! Assim como não é sobre aceitar tudo sem reclamar.

Bom senso tem a ver com ser flexível, vai além dos conceitos de certo e errado e qualquer extremismo. Obviamente levando-se em consideração o sistema de regras o costumes, mas tem a ver com dar um espaço, uma margem consciente pras ações.

Não é difícil o não precisa ser… É só a gente pensar um pouco mais antes de agir e tentar ver como gostaria de ser tratado.

Dar passagem no trânsito mesmo quando a preferência é sua; fazer críticas construtivas; não abusar de autoridade mesmo que a tenha; saber a hora de parar. Estas são algumas das “pequenas grandes” atitudes de alguém sensato.

O bom senso é um convite à reflexão, ao pensamento de forma fluída, leve e ponderada.

Aristóteles já dizia “A virtude consiste em saber encontrar o meio-termo entre dois extremos”, que essa seria a condição fundamental para se atingir a felicidade maior. Assim como Buda com o famoso “caminho do meio” que ensinava aos seus discípulos. Esse caminho onde não significa ser passivo, mas alcançar uma visão ampla para entender que a verdade nunca será encontrada nas posturas radicais.

“Quem busca extremos corre o risco de passar da virtude à maldade”, assim também citou Nietzsche. A perfeição ainda não é coisa desse mundo aqui, eu sei. Mas quem sabe se gente começar assim talvez consiga? Vamos?

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