Amores por tempo determinado

Em todos os momentos da nossa vida procuramos por algo que nos motive e que de alguma razão nos dê força para continuar. Quando digo isto não quero afirmar que precisamos de alguém, longe disto. Quero ilustrar que durante nossa trajetória passamos por uma turbulência de acontecimentos e estes nem sempre são agradáveis, mas independente da situação, com a sabedoria adequada ela acaba se tornando um aprendizado.

Costumo dizer que os seres humanos são uma máquina incrível e como todas as máquinas, também apresentam alguns defeitos. Com o transcorrer do tempo vemos uma evolução gigantesca nas máquinas, uma verdadeira transformação que observamos de uma forma diferente em nossa sociedade. A cada determinado período de tempo observamos maneiras condizentes da civilização, evoluímos conceitos, quebramos tabus, mudamos todo nosso jeito de pensar, mas até onde isto é algo bom? Como um adepto de mudanças considero extremamente importante estas transformações, mas como observador noto pontos negativos nos indivíduos, percebo que chegamos a um mundo de pessoas corrompidas pelo ganhar, pelo possuir e principalmente pelo status.

Dito isto, chego ao ponto em que queria, adentro na complexidade dos amores líquidos em que vivemos, ou seja, passamos por um momento onde tudo se tornou descartável, usável e apelando por concepções concretas tudo se baseia em conexões utilitárias. As pessoas passaram a serem movidas pelo interesse, se relacionar por intenções distintas ao sentimento, chegamos a um ponto onde o estar com o (a) parceiro (a) não é algo por amor e sim por precisão ou medo de enfrentar a própria vida sozinho (a). Tornou-se comum a frase: “Eu não o amo, mas ele me faz bem”, mas você já parou para pensar que isto é uma pura ilusão e que as consequências não serão diretamente voltadas apenas para você? Ilustro aqui o ponto de pensar individualista, o pensar apenas em si mesmo e que em muitas vezes acabamos não percebendo que somos autores de tal coisa e ainda pior pensamos estar fazendo “bem” ao outro.

Acho interessante a abordagem por detrás de “amores líquidos”, uma vez que os líquidos não possuem forma, ou seja, são os amores não concretos, repletos de dúvidas, são as famosas conexões utilitárias: “mantenha-os enquanto eles te trouxerem satisfação e os substitua por outros que lhe prometerem ainda mais satisfação”, infelizmente este é um padrão usual da nossa sociedade, usamos e somos usados o tempo todo e a maior parte das pessoas não percebem o quão mal causam na vida do outro, esta liquidez tornou os movimentos rápidos, transformou as pessoas em mercadorias, em apenas carne, trocou a qualidade pela quantidade e o pior, incutiu na cabeça dos indivíduos conceitos de amores rasos, permeando a vida de metas relacionadas à carreira, ao ganhar em primeiro lugar deixando o “viver” em segundo plano. Outro dia perguntei a um senhor muito humilde a respeito de carreira e a falta de tempo das pessoas de hoje em dia e este olhou nos meus olhos e me contou resumidamente a sua história, que para nós no momento não vem ao caso, ele me contou a história do filho obcecado apenas ao trabalho e ao ganhar e com um sorriso triste disse uma frase que me marcou: “meu jovem, ele possui uma carreira brilhante, mas quando se trata de felicidade não posso lhe garantir e eu agora no final da vida percebo que o que importa na verdade não são as coisas luxuosas e as festas que vocês frequentam, mas sim as pessoas e os momentos de felicidades que permaneceram com você”. Este relato me fez perceber que a vida deve ser mantida em equilíbrio, devemos sim almejar o sucesso, uma carreira profissional sólida, mas também devemos preservar nossas relações e saber com quem devemos caminhar.

A partir de agora quero levar vocês para uma conversa mais casual, de amigo para amigo, pode ser? Na maior parte do tempo somos movidos por dúvidas, medos e principalmente sonhos. Passamos por coisas absurdas e momentos inesquecíveis. Vivemos sensações indescritíveis e conhecemos pessoas maravilhosas. Neste tempo amamos, sofremos, machucamos, desperdiçamos nosso tempo com pessoas rasas e em outros momentos aproveitamos cada segundo dele ao lado da pessoa que amamos. Na maior parte vivemos por incertezas constantes sempre a procura de algo, um amor concreto talvez!? Somos mutáveis, aprendemos com os erros, descobrimos coisas e sensações novas e isto é o que torna a vida saborosa, o descobrir, se arriscar, sentir. Levando em conta estes aspectos o que leva você a ter tanto medo de se entregar, de se jogar de cara e viver a doce e torturante loucura que é o amor, para de paranoia e se dê uma chance, respire profundamente e deixe o passado no seu lugar, não precisa se preocupar com as poeiras, elas são apenas poeiras. Ei, porque você continua tentando em algo que eu e você sabemos que não vai rolar? Segue em frente, você é muito profundo para querer algo tão raso.  Moça você é linda e é erro seu pensar que ele é único, pois acredite em mim, amores vem e vão, mas e você? Ah você é especial e merece alguém que lhe transborde e lhe tire o ar, traga-lhe felicidade e a certeza de um amor recíproco, então que tal se escolher desta vez!? Você tem certeza de que o ama ou apenas está utilizando-o para tapar seus buracos?

Espero que você sempre escolha o concreto, a felicidade, que você consiga superar seus traumas e possa embarcar sem medo, que você consiga saber o momento certo de se “jogar de cabeça” e que acima de tudo você saiba se escolher e em um efeito dominó saiba quem escolher. Que você possa aceitar os defeitos e qualidades e mostrá-los sem medo de substituição. Algumas pessoas acarretam algo em sua vida e já outras, apesar do aprendizado, são desperdício de tempo e vamos combinar que a vida passa muito rápido para perdas de tempo. Sendo assim lhe desejo amores profundos, concretos e acima de tudo recíprocos. Saia da rotina e ame um pouco mais. O lado mais triste do amor é não sentir mais nada, não deixe que isto aconteça com você…

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Mateus Tulio
Costumo utilizar da escrita para viajar em outros mundos e desvendar um pouco da loucura que é a vida. A escrita se tornou parte de mim, parte das minhas constantes incertezas.



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