6 coisas que não devemos dizer nunca a alguém com depressão

Sílvia Marques

Alguém que acabou de passar por uma perda muito dolorosa ou simplesmente mergulhou num estado depressivo sem motivo aparente , é alguém que precisa de ajuda , de apoio, de incentivo, de compreensão, de carinho e não de esculacho , zombaria e cobranças e críticas excessivas. Lembre-se: o depressivo já está com tudo em baixa: autoestima , energia, esperança. Ele não vê perspectiva para o futuro. Só de pensar no futuro, ele se sente angustiado e ainda mais sem forças. Ele se enxerga como o último dos seres humanos, alguém que fracassou em tudo.

Infelizmente , em nossa sociedade , a depressão ainda é vista por muitos como frescura , falta de força de vontade para encarar a vida. Depressão é uma doença séria , incapacitante. Se ela atingir um grau elevado, a pessoa para de trabalhar , perde o interesse por qualquer atividade e sente dificuldade para executar as tarefas mais banais do dia a dia como arrumar a própria cama , tomar banho e responder a um e-mail.

Alguém que acabou de passar por uma perda muito dolorosa ou simplesmente mergulhou num estado depressivo sem motivo aparente , é alguém que precisa de ajuda , de apoio, de incentivo, de compreensão, de carinho e não de esculacho , zombaria e cobranças e críticas excessivas. Lembre-se: o depressivo já está com tudo em baixa: autoestima , energia, esperança. Ele não vê perspectiva para o futuro. Só de pensar no futuro, ele se sente angustiado e ainda mais sem forças. Ele se enxerga como o último dos seres humanos, alguém que fracassou em tudo. Mas vamos a nossa listinha?

1. Não julgue o depressivo. Dizer “verdades” na cara de quem está no fundo do poço só piora a situação do depressivo , além de ser um ato de covardia. Acusá-lo de fraco não vai fortalecê-lo. Pelo contrário.

2. Listar todos os defeitos que te irritam na pessoa também não vai ajudá-la em nada. Muito pelo contrário novamente. Ela se sentirá ainda mais fragilizada e dependendo do grau da depressão, excesso de críticas neste momento pode motivar o depressivo a fazer algo impensado e definitivo contra ele mesmo. Sim, tudo de cruel que falamos para um depressivo em alto grau pode motivá-lo a tentar o suicídio.

3. Minimizar a dor do depressivo , dizendo que existem pessoas que sofrem muito mais do que ela também não é adequado. Muitas vezes , a intenção é boa neste tipo de situação, mas não funciona. Cada dor é única. Não existe dor pequena quando ela acontece com a gente. Sim, respeite a dor do depressivo mesmo que você considere os motivos do mesmo insignificantes.

4. Não concorde com as bobagens que ele diz a respeito dele mesmo. Por exemplo: uma pessoa que acabou de passar por uma decepção amorosa diz que ninguém consegue amá-la , que ela não deve se apaixonar nunca mais. Jamais concorde com este tipo de fala. A pessoa pode até estar se depreciando, mas lá no fundo, ela quer ouvir que ela tem valor. Deixe a pessoa reclamar bastante e no final faça um elogio, demonstre o quanto ela é importante e especial, mas sem cobrar que ela se refaça da noite para o dia.

5. Dizer que depressão é falta de Deus é outra fala que devemos evitar. Além de simplista, é irritante. Pessoas que amam a Deus também adoecem.

6. Não espere muito do depressivo. Não exija dele esforços que naquele momento parecem insuportáveis. Não o obrigue a ir a eventos sociais ou simplesmente a fingir que está tudo bem. Deixe-o chorar , ficar no canto dele . Escute-o sem julgar. Convide a pessoa para fazer coisas que ela gosta , mas sem forçar a barra. Tente seduzir.

O melhor que podemos fazer por alguém que está enfrentando uma grave depressão é incentivar a pessoa a buscar ajuda profissional. A associação de medicamentos e terapia é muito eficaz no tratamento depressivo. Pouco a pouco a pessoa começa a dar sinais de melhora. Um bom tratamento combinado a muito carinho é o melhor caminho para ajudar quem amamos e que mais do que nunca precisa de nós.

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS





Sílvia Marques
Viciada em café, chocolate, vinho barato, filmes bizarros e pessoas profundas. Escritora compulsiva, atriz por vício, professora com alma de estudante. O mundo é o meu palco e minha sala de aula , meu laboratório maluco. Degusto novos conhecimentos e degluto vinhos que me deixam insuportavelmente lúcida. Apaixonada por artes em geral, filosofia , psicanálise e tudo que faz a pele da alma se rasgar. Doutora em Comunicação e Semiótica e autora de 7 livros. Entre eles estão "Como fazer uma tese?" ( Editora Avercamp) , "O cinema da paixão: Cultura espanhola nas telas" e "Sociologia da Educação" ( Editora LTC) indicado ao prêmio Jabuti 2013. Sou alguém que realmente odeia móveis fixos.

COMENTÁRIOS