Você também é da geração de mulheres que não namoram? Leia esse texto!

Priscila Andrade

Primeiro entenda uma coisa: eu NÃO estou infeliz. Pelo contrário! Estou muito feliz e mais madura.

Não consigo mensurar o quanto eu cresci nesse tempo que eu me dei sem sair ou me envolver com alguém. E garanto que tem muitas mulheres nessa mesma situação.

Apesar de eu ser da geração de mulheres que estão conquistando o seu espaço cada vez mais no mundo, deixando legado e sendo cada vez mais independentes, eu fui criada por um pai de outra geração. A minha mãe nunca trabalhou enquanto éramos crianças. Dedicava seu tempo integral para a família e toda árdua tarefa cotidiana dela.


Eu a amo e a admiro muito por isso e por quem ela é. Porém, nunca foi o que eu quis para mim. Ela e meu pai se separaram na minha pré-adolescência e adivinha? Ela não tinha nenhuma experiência no mercado de trabalho. Precisou se virar de várias formas.

Fui criada tendo como meu melhor amigo meu pai. Sempre me incentivou a ler bons livros, e eu gostava mais de livros que de bonecas. Ensinou-me a amar a música, ter o desejo de aprender outros idiomas e conhecer outras culturas. Muitas coisas eu já fiz.

Hoje, não moro mais com a minha família, moro em outro estado. Meu pai sempre enxergou em mim a minha melhor parte. Isso me fazia dar o meu melhor nas coisas e me tornar uma pessoa melhor. Ele me amou, até quando eu errei, amou e repreendeu com todo o seu bondoso amor. Ele me ensinou a viver, a amar, a me valorizar, a valorizar as pessoas, ensinou princípios e valores que não tem dinheiro no mundo que os tire de mim. Ensinou-me a ser forte, quando a vida bateu; foi o meu chão quando eu precisei de um.

Ele me conhecia porque se interessava em saber tudo sobre mim e sobre a minha vida mais e mais. Sem que eu expressasse nada, às vezes, ele sabia e tinha as palavras que eu precisava e a direção que eu precisava. Sempre confiou em mim e acreditou. E eu nele. E hoje, mesmo longe, ele se faz presente em minha vida. Ele me faz acreditar no amor, na família e me faz perceber que o melhor presente que posso dar aos meus filhos (futuramente, claro) é o pai deles.
Porque, sem dúvidas, o meu pai, foi o melhor presente que recebi da minha mãe.

Por ser criada por um homem assim, é extremamente difícil ter um relacionamento hoje em dia. Porque mesmo que o casamento dos meus pais não tenha durado mais que 15 anos, eu acredito em amor, no amor duradouro. Naquele que começa com a paixão e com o tempo, ele amadurece e forma seu alicerce sob o respeito, lealdade, admiração e sobre o que é construído pelo casal com o passar dos anos.

Acredito que pode ser eterno, apesar de não existir uma receita de como fazer para que dure para sempre, ninguém casa querendo separar, mas existem coisas que podem ser feitas para que não aconteça o divórcio, que dependem do casal. Mas esse é outro assunto e não vou me aprofundar nele agora.

Estou solteira porque não estou a fim de relacionamentos rasos e superficiais. Daqueles de verão mas que “valem a diversão”, como dizem. Estou solteira porque não quero magoar ninguém. Porque eu não fui criada para divertir ou satisfazer alguém por uma noite e depois fingir que mal nos conhecemos, como fazem hoje em dia.

Não se ofendam, se vocês vivem isso e estão felizes assim. Bom para vocês que se encontraram assim. Mas eu ainda acredito no amor. Não acredito que ele surja em uma satisfação de desejos em uma noite, ou em um fim de semana.

Não namoro porque eu não sinto necessidade de ter qualquer pessoa ao meu lado. Se for para estar com alguém que mal pega o telefone para saber como foi o meu dia e se estou bem, eu fico sozinha. Sem chatice, bajulações ou expectativas.

Não namoro porque tive um pai que me amou e me respeitou toda a minha vida e para mim, modelo de homem de verdade é muito diferente dos que dizem ser homens e medem a sua masculinidade pela quantidade de meninas que saem e nem pegam o telefone depois.

Estou solteira porque eu VIVO! As pessoas hoje apenas existem! Passam o tempo preocupadas em postar nas redes sociais o que estão fazendo e onde estão o tempo todo e depois mal lembram da cadeira em que estavam sentadas ou da decoração do restaurante francês que estavam.

Eu não! Se vou ouvir música, eu ouço e sinto mesmo a música. Se vou dançar, eu danço até não sentir os meus pés. Se estiver com os meus amigos ou com uma pessoa, mal vou querer saber onde deixei o telefone. Se estou sozinha em um lugar, é assim que vou ficar, sozinha com os meus pensamentos porque eles não me incomodam. Se alguém se sentar comigo, então eu vou conhecer a pessoa com real intenção. Se for para conhecer alguém e cogitar namorar, também vai ser de verdade, como todas as outras coisas que faço na minha vida.

Não namoro porque não encontrei alguém ainda que me desperte mesmo a vontade de ficar. Que faça eu me sentir segura. Que os braços me tragam a sensação de “lar”. Que mereça tudo que eu tenho e guardei para uma pessoa e que conquiste isso.

Por isso eu não namoro e nem sinto pressa em fazê-lo. Porque se fosse para namorar por namorar, eu já estaria com alguém. Mas namoro não é isso. Não é só ter “alguém”.

Enquanto isso eu viajo, trabalho, estudo, faço os meus planos, saio com as minhas amigas, sirvo na Igreja que eu frequento, se quero ir a um bom restaurante pego a minha bolsa e vou. Se quero assistir a um filme no cinema, eu vou, aproveito a minha família e mergulho na minha doce solitude e liberdade que ela me proporciona.

Totalmente longe da dependência de ter “alguém”, compreendo mais e mais que no tempo certo as coisas simplesmente fluem em nossas vidas. No momento certo, elas acontecem. Sem planejar, procurar ou necessitar, elas acontecerão.

Enquanto isso cuido prazerosamente da minha vida, e do ‘’meu jardim’’, como disse muito bem dito Mário Quintana. Afasto-me do que me faz mal, das coisas prazerosas e passageiras que não têm futuro nem servem para nada, além de causar sequelas emocionais.

Fico longe dos “probleminhas” disfarçados de ‘’meninos de família’’. Esses a gente sabe que trazem sequelas e, às vezes, a gente teima em tentar ver algo bom neles. Não teime com o seu ‘’feeling’’ menina! Se não é bom para você e não a merece, deixa ir. É preciso deixar a água fluir pro rio seguir o seu curso.

Eu me protejo e me cuido, porque eu me amo. Não me permito ser usada por alguém que mal sabe o significado do amor. E você, já pensou por que não namora?

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS




Priscila Andrade
24. Apaixonada pela vida! Amante de uma boa praia e um céu estrelado. Carioquíssima vivendo em São Paulo.

COMENTÁRIOS