Você pede desculpas 2 vezes pelo mesmo erro. A partir da terceira, reveja suas ações.

Mauro Barbosa Gomes

Pedir desculpas por um erro cometido é atitude louvável de quem, humildemente, ou não, como diria Caetano, assumiu a responsabilidade pelo ato e teve coragem para desculpar-se.

O problema é quando isso se torna uma rotina.

Errar várias vezes pelo mesmo motivo, para depois pedir desculpas, acaba caindo no descrédito e denota complacência exagerada consigo mesmo, daquele que cometeu o erro. Tipoi: “basta pedir desculpas e está tudo certo”.
Não é bem assim que funciona. Senão, vejamos:

1) Errar e pedir desculpas indefinidamente demonstra um vício de caráter ou um problema de ordem emocional mais grave, como a insegurança, o medo ou pouca disposição de enfrentar o que o faz errar sempre na mesma questão. Exemplos não faltam: intolerância, intempestividade, maledicência (ou fofoca, como queiram), brincadeiras de mau gosto, mentiras, achar que tem razão em tudo – soberba, orgulho – querer controlar tudo e todos, podem magoar e, caso a reincidência seja constante, isolar o causador desses deslizes numa redoma chamada solidão. Contudo, se a pessoa cai em si, pede desculpas e, nitidamente esforça-se para não cometer os mesmos erros – o que muitas vezes é difícil – já é uma atitude louvável. Também não sejamos juízes severos, porque a velha máxima do “atire a primeira pedra quem já não errou feio várias vezes nessa vida?” está sempre à espreita, nestes casos.

2) Outra característica desta incômoda situação é quando a pessoa empreende todos os esforços para melhorar, mas não obtém sucesso. Ora, é aí que entra a sensatez. Primeiro de saber que somos falíveis e, normalmente, nas mesmas coisas. Segundo, entender que existem pessoas boas no mundo que podem nos ajudar. Deixar o orgulho de lado e pedir ajuda, não denigre ninguém. Ao contrário, eleva a pessoa a outro patamar: perceber que não se pode resolver tudo sozinho nesta vida. Que se fosse possível, não haveria necessidade do mundo ter 8 bilhões de habitantes.

3) Também não se deve entrar na vitimização: “ó vida, ó azar”. Todos estão contra você, sua autoestima foi parar no dedão do pé; entrar numa depressão não custa muito. Por favor, pode chorar, ficar triste. Há fases na vida em que tudo que tentamos dá errado. Parece que o mundo está conspirando contra nós. Eu por exemplo, quando uso super bonder, quem acaba colado não é o objeto: são meus dedos. Eu puxo impaciente, solta a pele e sangra. Então eu grito, esperneio, chuto o balde. Essa cola conspira contra mim. Adianta alguma coisa? Nadica de nada. A super grude não tem culpa. Eu que não sei lidar com ela. Há uma incompatibilidade de gênios. Mas ela me ama de paixão, porque não desgruda.

4) Voltando ao tema, nem tanto ao mar, nem tanto a terra. Nem achar que é só pedir desculpas, nem se flagelar porque não consegue se redimir. Às vezes existe alguém com o ouvido prontinho para escutar você. E na maioria das vezes é apenas isso que precisamos: alguém que nos ouça. E saber ouvir é uma arte, principalmente num mundo onde a velocidade das coisas, o relógio e fuçar as redes sociais, são os deuses da hora.

5) Meditar também é bom. Às vezes funciona comigo. Mas procure ouvir uma boa música e cante alto. Sabe aquela máxima “quem canta seus males espanta?”. Então! Manda um Ultraje a Rigor na tristeza e solta a voz: “eu me amo, eu me amo, não posso mais viver sem mim”.

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Mauro Barbosa Gomes
Dois livros de crônicas/contos publicados e vendidos nas melhores livrarias do Brasil: A Chave do Seu Coração, em 2011 pela editora Multifoco e Olhares em 2015 pela Chiado Editora, com lançamento na Blooks Livraria na Praia de Botafogo Rio de Janeiro, Brasil. § Participação na Bienal Internacional do Livro 2016 no Anhembi São Paulo com tarde de autógrafos para “Olhares"