Comportamento e Psicologia

VOCÊ É O BURRO DE CARGA DA RELAÇÃO?

O moço trabalha o dia inteiro. Contribui com a maior renda da casa. Mas se ressente das honras e glórias nunca serem suas. É o pai! Mas parece um burro de carga. Fica por ali esquecido num canto. O reconhecimento vai para a mãe. Assim ele me conta.

Essa situação vista de outra perspectiva, como seria? Quem a mulher do moço acha que é o burro de carga nessa situação? Nesse caso teríamos a surpresa de saber que, no ponto de vista dela, a burra de carga é ela. E ela teria, pasmem, uma lista quilométrica de atividades para comprovar sua tese.

Então quem está certo? Os dois e nenhum dos dois. Os dois estão certos. Manter uma família pesa. O peso que o moço sente é real. Um peso que vai muito além do financeiro e das contas do fim do mês.

Pode parecer que um carrega mais. Geralmente a gente. Porque a gente costuma puxar a batata para a nossa brasa. Mas cada um é que sabe o quanto lhe dói no lombo a carga que leva.

Só a própria pessoa tem a exata noção dos sacrifícios que faz. Das coisas que tinha vontade, mas abre mão. Dos desejos que guarda em segredo porque não cabem nesse pacote. E olha que casamento costuma ser um pacote pesado. Às vezes também sem alça.

Então estão errados? Também. Tudo na vida tem seu preço. Uma relação mais ainda. Mas existe certo prazer em ver feliz quem você ama. Saber que agradou, que proporcionou boas emoções é um prazer.

É esse constante investimento na construção da felicidade do outro que tira o peso, pelo menos um pouco, das obrigações. É o exercício diário da generosidade que suaviza a relação. Isso quando dá. Nem sempre a gente consegue essa abnegação toda. Mas quando dá, o amor amortiza a caminhada.

Agora me diga: você faz o mercado, cozinha, prepara um super jantar. Todos comem felizes. Todos os felizes somem depois da barriga cheinha. E a louça é de quem? Toda sua? Claro que dá raiva. Nem diga que não dá, porque ou você está mentindo, ou está se enganando. O que é pior. Burra, divida a carga!

Já acompanhei, no consultório, muitos casais onde a mulher virava mãe. E o marido se acomodava como um bebezão. O contrário também é real. Mulheres bebês, mulheres barbies que vivem numa realidade infantil . O marido vira muleta.

São anões emocionais. Uns filhinhos e filhinhas sendo comodamente carregados no lombo. Isso desgasta. Difícil seguir numa relação assim. De filhos, já bastam os nossos. Isso não é parceria. É parasitismo.

Acredito que quando a carga de um burro é o próprio parceiro, é preciso que o burro saia da posição de quatro, se levante e fique em pé. Deixe que o outro se estabaque no chão. Não machuca, não. É bom para ver se acorda. Quem tem perna pode andar. Está carregando por que? A gente só carrega porque quer. E por que quer? É preciso investigar.

Quem sustenta o lar tem seu mérito, claro. Mas hoje em dia, praticamente, todos os casais trabalham. Então o sustento repartido pelos dois. Trabalho de casa é pesado também. Cansa.

Acontece de um ganhar mais? Um sempre vai ganhar mais mesmo. Hoje em dia, não raro, é a mulher.

Há parceiros que não ajudam. Acreditam que as coisas saem voando pelos ares se encaixando em seus lugares. Como em filmes de bruxas: uma sacudida de varinha e tchanan! Preste atenção: sem varinha e sem parceiros que se proponham a ajudar, não se espante se sua mulher virar uma bruxa bem malvada.

Filhos também costumam cair na conta da mãe. Não como encargo, que filhos são divertidos. Mas como responsabilidade afetiva. Pais costumam fazer ouvidos de mercador. Ignoram a necessidade de ajuda. Nem todos, nem sempre. Mas a ainda a maioria, infelizmente.

– Mãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaeeeeeeeeeeeee!

É a palavra mais gritada dentro dos lares brasileiros. Aqueles olhinhos observadores querendo atenção o tempo todo. E quem é mãe sabe bem o que é ter companhia constante até no banheiro. Então as honras são nossas? Sim! Mas por puro mérito. As honras, os custos, os desgastes, os sustos e, por que não, as alegrias muitas também.

Homens, não se preocupem! Somos generosas. Estamos prontas a dividir tudo: faxina, panelas, pratos e filhos. Propomos comunhão de bens com todos os pais que queiram compartilhar a maravilha que é o dia a dia das crianças. E desfrutar das dores e delícias que só os filhos sabem proporcionar.

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