Vivemos na era do desrespeito, onde todo mundo diz o que quer

Clarissa Corrêa

Vivemos na era do desrespeito, onde todo mundo diz o que quer. As notícias não param de borbulhar por aí. É só você entrar nas redes sociais ou nos principais sites de notícias que dá de cara com os últimos acontecimentos na vida dos famosos. Traição, fofoca, amizades que se desfazem, seguidores que surgem, seguidores que vão embora, fulano que beijou fulana e por aí vai.

Então eu pergunto: isso realmente muda a sua vida? Isso realmente modifica os seus dias? Isso realmente enche o seu coração de amor?

Todo mundo se escondem atrás de uma arroba, se encorajam e saem por aí dizendo o que dá na telha. Não se importam se do lado de lá, ainda com a fama, ainda com os milhões de seguidores, existe um ser humano de carne, osso, sangue, coração.

Não se importam se esse ser humano tem família, tem sentimentos, tem seus dias bons ou ruins. Acham que uma pessoa pública tem que aguentar os mais diversos tipos de desaforos.

Acham que só porque alguém é famoso o mundo inteiro precisa palpitar no seu relacionamento, no motivo da sua separação, no objeto do seu afeto.

Os corajosos de plantão debocham, falam palavrão, esculacham e saem rindo. Fazem piada com a vida dos outros, fazem graça da desgraça alheia.

Aquela atriz famosa não merece o seu dedo apontado. Aquela cantora que você não gosta de ouvir não merece o seu julgamento.

Ninguém merece ouvir o eco da sua voz dizendo que o mundo dá voltas e que determinada pessoa teve o que mereceu. Quem é você para determinar o destino dos outros?

Quem é você para dizer o que outras pessoas merecem em suas vidas? Da onde vem tanto rancor? Da onde vem tanto ódio? Da onde vem tanta frieza? Da onde vem tanta certeza do que o outro merece?

O neto de um ex-presidente morreu e tudo que li foi que Deus não dorme. Deus vê tudo. Em primeiro lugar, Deus vê tudo mesmo. Mas Ele não castiga. Se castigasse arrancaria a língua e os dedos fora de quem fala ou digita uma barbaridade dessas. Uma criança morreu. Um inocente morreu. Não importa se você é ou não fã do ex-presidente. O que importa é que devemos respeitar a dor do outro, gostando dele ou não. Isso é caridade. Isso é ser humano. Isso é ser gente.

Não esqueça: você não conhece o que vai no coração e na cabeça das outras pessoas. Você não sabe o que elas sentem, o que elas já viveram, o que elas já passaram, o que elas esperam do futuro.

Não esqueça de outra coisa:
a mídia distorce muita coisa. Só quem sabe da verdade é quem viveu uma história. O resto é o resto.

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Clarissa Corrêa
Clarissa Corrêa é escritora e redatora publicitária. Gaúcha de Porto Alegre, tem 6 livros publicados, já foi colunista do caderno Donna (jornal Zero Hora) e da revista Tpm. Também já contribuiu com diversos sites femininos. Clarissa já participou do programa Encontro com Fátima Bernardes e seu livro “Para todos os amores errados” já esteve na lista dos mais vendidos diversas vezes. Observadora, além de escrever sobre as coisas de dentro, também trabalha com desenvolvimento pessoal.