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Vida sombria: O que aconteceu com a criança da capa da National Geographic

Vida sombria: O que aconteceu com a criança da capa da National Geografic.

O rosto de Sharbat Gula ficou conhecido pelo mundo todo nos anos 80, quando em um campo de refugiados, foi fotografada, ainda criança, e se tornou uma das capas mais simbólicas da National Geographic.

O rosto dela permanece um verdadeiro reflexo do sofrimento de seus compatriotas. Falamos de um conflito que está sempre latente, e agora se manifesta, que parece não ter fim.
Uma vida nas sombras: a garota reflete as mudanças no Afeganistão

Em 1979, a União Soviética invadiu o Afeganistão, iniciando um conflito que dividiria o país em dois e que ainda não terminou. Como resultado, muitos cidadãos tiveram que emigrar para o Paquistão para se proteger da guerra e salvar suas vidas.

Entre eles a família de Sharbat Gula, a menina que em 1984 foi fotografada em um campo de Peshawar e em 1985 se tornou uma das capas mais icônicas da National Geographic.

Seus olhos verdes eram um espelho da difícil realidade que os afegãos viviam. A foto foi tirada por Steve McCurry e logo se tornaria uma imagem que giraria o mundo e refletiria a dor e o sofrimento dos refugiados.

Porém, apesar do estrondoso sucesso da capa, 17 anos se passaram sem que soubéssemos o nome da criança. Além disso, durante a mesma época, Sharbat Gula não soube que seu rosto era um dos mais famosos e reconhecidos do mundo.

Por mais que a revista tenha vendido milhares de exemplares pelo mundo, nada foi dado nem oferecido a essa criança, e a sua história de vida continuou sendo extremamente sofrida até os dias atuais.

Essa foi a razão pela qual o fotógrafo decidiu procurá-la novamente em 2002. Ele a encontrou nas montanhas do Afeganistão. Seu nome não mudou, da mesma forma que sua expressão não mudou.

Não poderia ser por menos, durante toda a sua vida ele esteve na guerra . Além disso, aos 10 anos, uma doença a deixou sem a mãe, enquanto uma bomba mataria seu pai.


O rosto do reencontro- Foto da National Geographic.

História de vida sofrida

Durante toda a sua vida, ela se mudou entre o Afeganistão e o Paquistão, tentando evitar o perigo. Casou- se aos 13 anos, teve 4 filhos e uma das meninas morreu nos primeiros anos de vida. Além disso, muitas vezes, durante esses 17 anos, ela sofreu as consequências indiretas do conflito, como a escassez de alimentos.

Depois daquele novo encontro com Steve McCurry, em 2002, Sharbat Gula não foi ouvida novamente até 2016. No entanto, mais uma vez, as notícias em torno dela não foram animadoras.

Naquele ano, as autoridades paquistanesas a prenderam por possuir documentação ilegal. Ela fugiu durante a vida toda e o fez sabendo do risco que corria, entendendo que era a única solução para seus filhos poderem estudar.


Sharbat Gula e sua família. Foto da National Geographic.

Ela ficou detida por 15 dias, adoecendo com hepatite C durante este período. Esta foi a razão humanitária apresentada pelo governo afegão para tentar sua repatriação.

A situação atual em Sharbat Gula no Afeganistão

Em 2017, ela voltou definitivamente ao seu país. No entanto, hoje se encontra em um novo desafio com o retorno do Taleban ao poder. Um regime totalitário que condena as mulheres a uma vida sem muitos direitos e com muitas obrigações. Uma desigualdade que tem custado a vida de muitas mulheres e crianças.

Sharbat, como muitas mulheres temem a volta da repressão, e temem que o governo Talibã comece a cobrar um preço muito alto.

Estamos falando de uma ameaça que está muito mais próxima do que pensamos no Ocidente. De um abuso humanitário que visa apenas aumentar o poder de quem já o detém, transformando o resto em servos de suas vontades mesquinhas e autoritária.

Muitos estão tentando fugir, mas está praticamente impossível já que foram fechadas as fronteiras. É triste ver que uma criança teve que enfrentar uma vida inteira de sofrimentos, fugindo das imposições machistas de seu país de origem.

A nossa esperança é que um dia essa mulher possa gozar de uma boa vida, de liberdade e com os direitos que ela merece, não só ela, mas todas as mulheres e crianças afegãs.

*DA REDAÇÃO RH. Com informações LLM.

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