Autores

Uma lâmpada queimada às vezes nos cega para o pisca-pisca inteiro

Todo mundo sente que falta alguma coisa. Tem para quem seja o reconhecimento de um trabalho árduo, para quem pareça que o mundo não escuta e para quem só gostaria de se aninhar no silêncio. Tem quem sinta falta do ócio e quem deseje por tudo o que é mais sagrado uma agenda completa.

Para alguns faz falta o amor, para outros o espaço. Uns sentem o buraco existencial de não ter amigos, outros clamam por um pouco de solidão para se encarar no espelho com verdade.

O que falta faz doer lugares que nós que não sabíamos que existiam. É como se, em um pisca-pisca inteiro, uma luzinha só estivesse queimada. E ela, aquela maldita escuridãozinha no meio de tanto brilho, fizesse mais sentido do que centenas de focos de luz. O que falta é maior do que o que há.

Esmagar a frieza do que falta não é fazer inúmeras tentativas de preencher o espaço – atitude essa, aliás, que pode fazer com que ele aumente ainda mais. A luzinha apagada exerce sobre nós quase uma adoração: como se, ao contrário do que acontece na vida real, fosse ela a única que brilhasse.

Nossas faltas criam uma percepção errada e tola de que aquilo é tudo o que precisávamos para ser feliz. De que abriríamos mão de tudo para que aquela luzinha, tão importante e única, voltasse a brilhar. Ficamos cegos para o movimento da vida: talvez, quando ela se acender, outra vá queimar. E aí aquela passará a ser a mais importante.

Quando temos um amor, nossa falta é de amigos. Quando não temos um trabalho, nossa escuridão é um emprego. Quando nos fartamos da preguiça, nos falta energia para os exercícios.

Exceto pelos monges budistas e pelos extremamente conscientes, é impossível que todas as luzes da nossa vida estejam acesas ao mesmo tempo. Todo mundo sente faltas. Você não é o único que está vendo a ausência de algo, alguém ou algum sentimento como o fim do mundo. Estamos (quase) todos.

O que podemos fazer é olhar com mais carinho para tudo o que está aceso, vibrante e muitas vezes invisível. Estender a gratidão de uma hashtag para um sentimento verdadeiro, sublime, único. Mais importante do que qualquer outro. Porque uma luzinha apagada não pode apagar o Natal que celebra a nossa renascença todos os dias.

Marina Melz

É jornalista e trabalha com assessoria de imprensa.

Recent Posts

Cirurgião cardíaco revela 4 alimentos que ele jamais colocaria no prato

Muitas pessoas acreditam que problemas cardíacos surgem apenas por fatores genéticos ou pelo avanço da…

19 horas ago

Fique atento: Estas 3 áreas de dor podem sinalizar câncer em estágio inicial

Sentir dor faz parte da vida. Uma dor nas costas após um dia cansativo, um…

19 horas ago

Quantos rostos você vê nesta imagem? A resposta pode revelar um traço oculto da sua personalidade

Algumas imagens têm a capacidade de revelar muito mais do que aparentam à primeira vista.…

2 dias ago

5 Signos que podem viver uma reviravolta no amor após o Dia dos Namorados

Para muitas pessoas solteiras, o Dia dos Namorados pode trazer reflexões sobre relacionamentos, expectativas e…

7 dias ago

7 detalhes que fizeram internautas duvidarem que era Shakira na Copa de 2026

A cerimônia de abertura da Copa do Mundo de 2026 reuniu milhões de espectadores ao…

7 dias ago

Quase todo mundo erra este desafio de trânsito: quem passa primeiro?

Você se considera um motorista atento às regras de trânsito? Então prepare-se para um teste…

7 dias ago