Autores

Uma lâmpada queimada às vezes nos cega para o pisca-pisca inteiro

Todo mundo sente que falta alguma coisa. Tem para quem seja o reconhecimento de um trabalho árduo, para quem pareça que o mundo não escuta e para quem só gostaria de se aninhar no silêncio. Tem quem sinta falta do ócio e quem deseje por tudo o que é mais sagrado uma agenda completa.

Para alguns faz falta o amor, para outros o espaço. Uns sentem o buraco existencial de não ter amigos, outros clamam por um pouco de solidão para se encarar no espelho com verdade.

O que falta faz doer lugares que nós que não sabíamos que existiam. É como se, em um pisca-pisca inteiro, uma luzinha só estivesse queimada. E ela, aquela maldita escuridãozinha no meio de tanto brilho, fizesse mais sentido do que centenas de focos de luz. O que falta é maior do que o que há.

Esmagar a frieza do que falta não é fazer inúmeras tentativas de preencher o espaço – atitude essa, aliás, que pode fazer com que ele aumente ainda mais. A luzinha apagada exerce sobre nós quase uma adoração: como se, ao contrário do que acontece na vida real, fosse ela a única que brilhasse.

Nossas faltas criam uma percepção errada e tola de que aquilo é tudo o que precisávamos para ser feliz. De que abriríamos mão de tudo para que aquela luzinha, tão importante e única, voltasse a brilhar. Ficamos cegos para o movimento da vida: talvez, quando ela se acender, outra vá queimar. E aí aquela passará a ser a mais importante.

Quando temos um amor, nossa falta é de amigos. Quando não temos um trabalho, nossa escuridão é um emprego. Quando nos fartamos da preguiça, nos falta energia para os exercícios.

Exceto pelos monges budistas e pelos extremamente conscientes, é impossível que todas as luzes da nossa vida estejam acesas ao mesmo tempo. Todo mundo sente faltas. Você não é o único que está vendo a ausência de algo, alguém ou algum sentimento como o fim do mundo. Estamos (quase) todos.

O que podemos fazer é olhar com mais carinho para tudo o que está aceso, vibrante e muitas vezes invisível. Estender a gratidão de uma hashtag para um sentimento verdadeiro, sublime, único. Mais importante do que qualquer outro. Porque uma luzinha apagada não pode apagar o Natal que celebra a nossa renascença todos os dias.

Marina Melz

É jornalista e trabalha com assessoria de imprensa.

Recent Posts

Série produzida por Steven Spielberg vira fenômeno na Netflix e conquista 100% no Rotten Tomatoes

A Netflix acabou de adicionar em seu catálogo uma nova série sobre dinossauros que rapidamente…

3 minutos ago

Especialistas fazem alerta: NUNCA compartilhe estas informações com o ChatGPT

Atualmente, o uso de inteligência artificial está presente no dia a dia de muitas pessoas.…

6 minutos ago

Virada inesperada: 5 signos recebem ótimas notícias no amor e no dinheiro ainda hoje

Alguns dias parecem carregar uma energia diferente, como se pequenas coincidências se transformassem em grandes…

11 minutos ago

Angelina Jolie revelou que quase contratou um assassino para tirar sua própria vida — mas uma pergunta mudou tudo

A atriz Angelina Jolie já falou abertamente sobre momentos difíceis que enfrentou no início dos…

21 minutos ago

Profecia de Nostradamus sobre “guerra de sete meses” volta a viralizar após tensão entre EUA e Irã

Após o aumento das tensões militares envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel no Oriente Médio,…

26 minutos ago

O que você vê primeiro revela seu nível de luxúria — Prepare-se para a verdade!

Você realmente se conhece quando o assunto é desejo e paixão? A forma como interpretamos…

5 dias ago