Uma das coisas boas da vida: ser avô ou avó

Resiliência Humana

Os netos trazem vida nova, futuro, um renascimento de emoções que chega em muito boa hora. Essa hora, muitas vezes, coincide com a perda ou a doença dos próprios pais, a aposentadoria, a menopausa, ou a perda de autoestima por causa do envelhecimento.

E aí, aquele bebê fofo, o mais lindo e mais inteligente do mundo, faz os olhos brilharem novamente, o coração acelerar, e até o vigor físico melhora: para os netos, a dor nas costas costuma sumir, dá pra passar uma noite em claro, fazemos “musculação” carregando bebês muito mais pesados do que aquelas sacolas de supermercado que achávamos que não dávamos mais conta. Uma nova vida, para todos!

Mas quando os netos crescem um pouco, e nossa atividade de avós não é mais só “tomar conta” daquele bebê, ou mimá-lo com guloseimas, e eles começam a falar de jogos “on-line”, dos últimos filmes que viram, quando querem mostrar uma música no “youtube”, aí a coisa pode ficar mais complicada.

Nosso repertório é desafiado: não basta só fazer um bolo, ou perguntar como foi o dia na escola. Precisamos fazer um grupo no “whatsapp” e saber onde fica o teclado “emoji” para nos comunicarmos com eles e dizermos que os amamos.

Mas isso não quer dizer que não possamos também reinventar nosso repertório, muitas vezes lembrando das experiências boas que tivemos com nossos avós.

Um amigo decidiu diminuir as horas de trabalho em seu escritório de advocacia e mudou-se para uma chácara perto de São Paulo, planejando fazer ali um centro de reunião da família: cinco filhos e doze netos. Sonhava poder usufruir mais a companhia de todos eles, coisa que a vida corrida de São Paulo tornava muito difícil. Construiu o de praxe: churrasqueira, piscina e, como toque de mestre, colocou uma mesa de sinuca. Com isso, pensava, não haveria neto que não quisesse ir passar o fim de semana com ele!

Porém, aos poucos foi percebendo que os netos iam, sim, mas ficavam a maior parte do tempo conversando entre si. Os mais velhos levavam namoradas e namorados; os menores ficavam se divertindo na piscina. Mesmo a sinuca era uma grande atração, mas não para ele, pois não conseguia mais jogar por muito tempo, e percebeu que atrapalhava o jogo dos netos! Em pouco tempo, começou a se sentir exilado na própria casa, com a única função de prover os comes e bebes.

Foi quando se lembrou da razão do seu sonho, de um avô cercado de netos: era assim que, na sua infância, ele passava os domingos. Iam todos para a casa do avô, espanhol, excelente marceneiro que tinha uma marcenaria em casa, onde todos podiam trabalhar. Era “uma farra”.

Com essa cena na cabeça, ele arrumou a sua marcenaria e começou a convidar os netos a irem lá para fazer brinquedos, objetos, móveis. Foi um sucesso! Logo, ele conseguiu ter um tempo precioso com seus netos, quando podia ensiná-los e também aprender, contar e ouvir histórias.

E inclusive aprendeu a usar “whatsapp” e “youtube”! Agora, seu próximo projeto é entrar no “Instagram” e compartilhar as fotos de uma mesinha toda marchetada que fizeram juntos, presente de aniversário para a avó.

FONTELúcia Azevedo
COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS





COMENTÁRIOS




Resiliência Humana
Bem-estar, Autoconhecimento e Terapia