Ela não amaldiçoa você, não mesmo.
Apesar de tudo ela só quer o seu bem. E quer te ver bem. De coração e de alma ela deseja isso. Mas ela tem apenas uma simples e inocente previsão: que um dia – daqui alguns meses ou quem sabe anos – quando estiver sentado em algum lugar qualquer, contemplando, pensando, olhando ao longe, por algum motivo – algum minúsculo e quase imperceptível motivo – você vai lembrar.
Pode ser que se lembre da risada dela e de como ela gostava de te incomodar só pra ver seu sorriso.
Vai lembrar também que ela adorava olhar nos seus olhos e te fazer carinho. O melhor carinho do mundo. O carinho que te transportava para outros mundos. Aí vai fechar os olhos e vai tentar sentir. Vai querer sentir. Vai respirar fundo, esquecer de tudo e vai apenas sentir.
E uma sequência de imagens e memórias subitamente virá.
Talvez comece lembrando do abraço dela… o mais gostoso e confortável, aquele com jeito de casa.
E virá em sua memória o seu jeito peculiar de vestir e de como ela falava rebuscado às vezes.
A textura da sua pele, as formas do seu corpo e de como ele se encaixava tão bem com o seu. Os beijos, que mesmo os mais pequenos, continham tanta paixão e doçura que praticamente conseguirá sentí-los de novo. Vai lembrar como tudo parecia leve e como o tempo andava numa velocidade diferente.
Vai lembrar das manhãs, das tardes, das noites. Das surpresas, aventuras e segredos. Dos planos, dos sonhos, das loucuras. Da textura do seu cabelo, das suas mãos e daquela cicatriz.
Vai lembrar até de algumas manias chatas e melindrosas dela, de como ela ficava brava às vezes e vai admitir sentir saudade até disso.
Por alguns segundos poderá até ouvir a sua voz. Falando ao seu ouvido. Naquele tom doce, suave, baixinho. Contando como foi o dia e perguntando como foi o seu. Vai ouvir sua risada e vai rir junto de alguma piada que era só de vocês.
Vai sentir o abraço apertado, vai ouvir o suspiro e vai suspirar junto. Vai lembrar daqueles olhos… aqueles misteriosos, enigmáticos, profundos e inesquecíveis olhos que já viram o mundo.
Vai lembrar como ela parecia fazer tudo ficar mais bonito, mais interessante, mais colorido, mais brilhante.
De súbito, num ímpeto, vai pegar o celular e querer mandar uma mensagem pra ela. Dizendo o quanto você sente sua falta. Falando sobre o quanto você queria tê-la e sentir seu cheiro nem que fosse por 10 minutos. Sentir sua pele e seu carinho. Sentir sua alma e seu coração batendo de novo daquele jeito como nenhuma outra fez bater.
Mas… já é tarde demais.
O tempo passou.
A vida andou.
E você vai apenas lembrar.
Melancolicamente vai lembrar.
Talvez, por alguns segundos irá se lamentar, se punir e se cobrar.
Sentindo aquele desconforto típico frente ao imutável.
A frustração diante do intangível.
A resignação perante o incontestável.
Aí então vai buscar se conformar.
Pois é apenas – e só isso – que vai restar.
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