“Tem gente que faz tanta maldade, mas vejo a vidinha que ela leva, e penso: Deixa pra lá”.

Quando li essa frase de Fernanda Estellita, ela fez muito sentido. Naquele momento, eu sofria com a maldade de uma pessoa, e na verdade, ela caiu como uma luva.

Essa pessoa, que deveria ser uma parceira em minha vida, destilava maldades, de forma dissimulada, e eu, era um dos seus alvos preferidos.

Depois de sofrer por dias, ficar sem dormir tentando entender os motivos daqueles que sentem prazer em sabotar o outro, fiz aquela lista de “porques”: “porque ela tem inveja”, “porque ela não tem bondade no coração”, porque ela quer competir comigo”, “porque ela é difícil mesmo”, “porque ela tem medo que eu tire o lugar dela”, “porque ela não sabe dividir”, “porque ela acha que eu não mereço”, “porque ela não foi com a minha cara”, … E os “porques” não acabavam nunca.

Mas eu não percebia que meus pensamentos negativos não me deixavam enxergar claro.

Alguns meses se passaram e eu segui intrigada com isso, ela continuava repetindo as mesmas atitudes já discutidas e acordadas, trabalhando na surdina, e dando desculpas esfarrapadas. Suas atitudes eram de total desrespeito, e o pior, ela demonstrava que não se importava com os meus sentimentos, muito menos, com o fato de estar prejudicando não só a mim, mas aos que dependem de mim.

Foi aí que eu entendi, e logo percebi que aquela identificação inicial com a tal frase me acusava. Acusava a minha vitimização. Eu acabava de me sentir vítima da maldade alheia. Mas, ninguém é vitima de nada!

“O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, e sim por aquelas que permitem a maldade”. Albert Einstein.

E eu estava ali, permitindo a maldade de maneira passiva e subserviente…

Eu sou a prova viva que nada acalma o coração vitimizado, ele sofre e sangra se redimindo na própria tristeza. E esse é o grande perigo. A única salvação que encontrei para desfazer esse mal que a maldade instala dentro da gente, foi a oração.

Orando percebi que quem se vitimiza demais, e sofre se sentindo injustiçado, na verdade, a cada martírio íntimo, permite, inconscientemente, que a maldade se perpetue.

Lembrei o que Jesus respondeu a Pedro quando, após ter ouvido palavras maravilhosas de sua boca, lhe fez a seguinte pergunta: “Senhor, quantas vezes terei que perdoar a meu irmão, se pecar contra mim? Até sete vezes?”.

E Jesus: “Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete vezes”.

No momento em que li a frase de Estellita, tive aquela reação natural de identificação, e pensei: “Nossa, e não é que a fulana leva mesmo uma vida bem chata”, mas depois de toda essa minha reflexão, inspirada pela luz que existe em tudo, a qual sou eternamente grata, concluo:

Quem sou eu para julgar? Vai saber o tanto que ela já sofreu na vida, todas as provações que já passou, e todos os motivos que a fizeram ser assim, como ela é?

Quem comete a maldade convive com ela, e não possui forças para abandoná-la, quando vê, a maldade já tomou conta, e começa tudo de novo.

A única solução para isso é a reforma íntima.

E como o autoconhecimento exige muita resiliência e resignação, não conseguem parar de vibrar negativamente. É como se escolhessem o menor sofrimento, para eles, mas sofrem mesmo assim, as consequências de seus atos.

Nesse ponto de vista, a maldade não vale a pena, não é mesmo?

Mas quem a recebe, tem duas opções, a de se martirizar eternamente, ou, poderá perdoar, e a fazer desaparecer, da mesma forma como ela apareceu! Do nada! Afinal … Como bem disse o grande mestre da arte da retórica Lúcio Aneu Sêneca “A maldade bebe a maior parte do veneno que produz”.

Mesmo depois de entender e aceitar todo o processo, não pensem que ela parou, ela continua fazendo o mesmo que fazia, mas eu não acolho mais, não me martirizo mais, escolhi perdoar, e deixar o tempo e as lições da vida a ensinar.

Não permito que as suas atitudes “labirintem” o meu equilíbrio, não mais, e isso aconteceu logo depois que, simplesmente, a coloquei em minhas orações!

E decidi pedir que Deus a ajude, todos os dias, que ela seja feliz, que ela realize seus sonhos, que nada e ninguém a ameace, e principalmente, que ela não se sinta ameaçada, sem motivo.

Que ela entenda que eu só quero somar, e que nunca mais se sinta tentada a me apunhalar pelas coisas.

Assim que iniciei as orações, meu pensamento voou e concordei com Friedrich Nietzsche quando ele disse que, “Há uma exuberância na bondade… que parece ser maldade”.

E me senti em paz de novo!

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Iara Fonseca
Jornalista, poeta, educadora social, fundadora e editora de conteúdo do Rede de Ideias: PRODUÇÃO DE CONTEÚDO. Seu interior é intenso, sempre foi, transforma suas angustias em textos que ajudam muito mais a ela própria do que a quem lê. As vezes se pega relendo seus textos para tentar colocar em prática aquilo que, ela mesma, sabe que é difícil. Acredita que viemos aqui para aprender a ser, a cada dia, um pouco melhor, para si mesmo, e para o outro!