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SOU FEMINISTA. NÃO ODEIO OS HOMENS.

Simples assim. A confusão ideológica da palavra “feminismo” nunca foi tão discutida e distorcida como em 2014.

Neste ano não sobrou espaço para outro tema. Nunca discutiu-se tanto sobre feminismo e machismo como em 2014.
Foram tantos compartilhamentos de textos, discussões sobre violência doméstica, “eu visto o que eu quiser”, reportagens sobre mulheres líderes em ambientes corporativos, campanhas publicitárias, casos de traição, o aborto nos debates políticos, homem brigando com mulher, mulher brigando com mulher que a base do feminismo começou a misturar-se e perder-se ideologicamente pouco a pouco.

Sabe aquela história do “não sei nada sobre, mas opino”? Pois então, a distorção do feminismo como algo violento e de ódio contra os homens é totalmente controversa ao que se prega. É pura falta de informação.

Quem se lembra do discurso da Emma Watson no UN Women este ano?

“Eu tenho percebido que lutar pelo direito das mulheres têm se tornado sinônimo de odiar os homens. Se existe uma coisa de que tenho certeza nessa luta, é de que isso tem que parar.”

Entre dez minutos de discurso, foi essa pequena parte que chamou-me mais a atenção.

Mesmo o feminismo de Beyoncé que com todo o seu sexy appeal possui um apelo diferente do discutido por muitas feministas, recebeu o seu prêmio de melhor música do ano, segundo a revista Times, por “entender o momento vivido pela sociedade”, que diz:

“Criamos garotas para serem concorrentes. Não para empregos ou conquistas, o que seria uma coisa boa, mas para a atenção dos homens. Feminista é a pessoa que acredita na igualdade política, social e econômica entre os sexos.”
Você acredita nestas igualdades? Você acha que é justo ambos os sexos terem os mesmos direitos?

Então você, homem ou mulher, também é feminista.

Isso não significa que você deve parar de preparar um jantar que você faz com amor para o seu namorado, isso não significa que você não pode sentir-se frágil às vezes, isso não significa que você deve ser menos feminina e não usar sutiã e isso não significa que os homens devem ser submissos.

Ser feminista significa sentir-se feliz ao ler que o governo do Recife têm divulgado um livro chamado “Reconstruindo vidas: mulheres que romperam a violência doméstica”, que conta com depoimentos incríveis de dez mulheres recifenses‪ que denunciaram o tratamento abusivo de seus parceiros e deram a volta por cima. “O primeiro tapa arde na alma”, uma delas diz.

Se você fica feliz por iniciativas como essa, mesmo sem saber, você também é feminista.

Esses textos “mulheres estão chatas”, “apaixone-se por mulheres que têm mais livros do que roupas”, “sou malhada, faço selfie”, “ele traiu, ela perdoou porque é machista”, olha, parem. Esse ataque gratuito que pelo jeito VENDE, é que tem atrapalhado mais do que ajudado, principalmente em terras brasileiras.

Não precisamos sentir DESCONFORTO quando falamos que somos feministas queridos amigos. Se alguém lhe disser que você está sendo hipócrita porque você leu Cinquenta Tons de Cinza, ou porque você deixa o seu namorado dirigir o seu carro, você responde a mesma coisa que a Luciana Genro respondeu para o Danilo Gentili numa entrevista durante sua campanha pras eleições presidenciais. Lembram?

“É, eu acho que você deveria se informar melhor”.

Existe muito mais amor no feminismo do que esse terrível sentimento de “anti-homem” criado justamente pela sociedade machista.

Eu sou feminista e eu não odeio os homens. Eu sou feminista porque acredito na igualdade entre os sexos de forma verdadeira e justa. Eu sou feminista porque não quero que meus amigos homens pensem que chorar assistindo um filme “é coisa de mulher”.

Sou feminista porque respeito o próximo.

E você?

Mari Rivas

Bailarina fora dos padrões posturais, atriz sem sucesso, estilista mal compreendida, me formei por fim em Marketing e me especializei em Invenções Tecnológicas e Redes Sociais. Hoje trabalho, estudo e escrevo para falar menos sozinha. Adoro moda e simpatizo com pessoas pelo tênis que usam, antes mesmo de trocar um “olá”. Sou apaixonada por cinema, séries de tv, viagens, artes e animais. Prefiro ser chamada de “admiradora investigativa” do que “stalker profissional”.

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