Sobre (viver): filtrar o que, realmente, importa – Superação é amadurecimento, aceitação, equilíbrio

Pamela Camocardi

Sobre (viver)

Todos nós, em algum momento da vida, passamos por situações que exigiam superação. Seja no âmbito social, sentimental ou psicológico somos provados, o tempo todo, a superar os próprios limites.

Por sermos seres sociais, as relações são necessidades básicas para uma convivência sadia. Sejam elas afetivas ou sociais, as relações se concretizam na reciprocidade diária de pessoas dispostas.

De um ponto de vista racional, quando um relacionamento acontece, um processo de cumplicidade, respeito e euforia se instauram nos envolvidos, fazendo-os acreditar que tudo será eterno. Porém, quando algumas dessas atitudes se rompem e a relação acaba, a decepção vem à tona e a superação torna-se uma necessidade.

Superar não é fácil. Nunca foi! E todas as vezes que passamos por situações complexas, sentimos na pele o quão isso é verdadeiro.

A consciência do término é a fase mais dolorosa. É o momento em que as coisas ainda estão recentes e, qualquer atitude, pode piorar a situação. É o momento em que a gente acha que nunca mais seremos felizes e que, nada e nem ninguém, será capaz de arrancar a dor. É o momento que a gente ainda espera a ligação, que tem recaídas constantes e que manda mensagem a cada crise de desespero. Em outras palavras: o término é de lascar!

Quando esse momento passa (e nem sempre é rápido) tomamos conta que uma nova vida começa.

A partir daí, recolhemos os cacos emocionais, enterramos as lembranças e perdemos o interesse na vida do outro. Entendemos que o que acabou foi a relação e não a possibilidade de sermos felizes.

Superar é perceber que o “nunca mais amarei novamente” dito no calor das dores é um tempo muito grande. Percebe que o cinema, os bares e as festas continuam tão divertidas quanto antes e que antes do amor recíproco, vem o próprio.

Superação é amadurecimento, aceitação, equilíbrio. É entender que, no que tange às relações, nenhum amor pode dar certo sem reciprocidade.

Flávio Gikovate definia a maturidade como uma habilidade de evitar conflitos desnecessários:

A maturidade emocional tem muito a ver com o que, hoje em dia, se chama de inteligência emocional (I.E.):
competência para se relacionar com pessoas em todos os ambientes, habilidade para evitar conflitos desnecessários e até mesmo tentar harmonizar interesses e agir sempre em prol da construção de um clima positivo e agradável nos ambientes que frequenta. Assim, a pessoa mais amadurecida busca também a evolução moral, condição que a leva a agir de modo equânime, atribuindo a si e aos outros direitos e deveres iguais.

Sabe, superar é como escrever um livro. Dá um trabalho danado escrever o primeiro parágrafo de um capítulo novo, mas vale a pena. Se o capítulo anterior não teve o final esperado, o atual pode ser reescrito como você sonhar.

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Pamela Camocardi
A literatura vista por vários ângulos e apresentada de forma bem diferente.