Sobre confiar que o melhor virá

Mariana Albanese

Estou em Alto Paraíso me reorganizando. Vim pra ver casa, entender custos e etc., para voltar em dezembro. Era essa a decisão.

Mas quando cheguei, fiquei fritando, pensando que diabos eu vim fazer aqui. Que tarô maluco falou que algo daria certo nessa cidade? E se eu for pra Bahia, e se eu for pra Marte, e se eu ficar em São Paulo?

Depois, me deu sono. Sono de passar tipo 12h seguidas dormindo, sem nenhuma dor na consciência. Percebi que meu corpo estava exausto. Mas, especialmente, que minha cabeça está exausta.

Então comecei a me entregar ao mestre de Alto. Confiar que se vim me enfiar aqui é porque tem algo.

Então fluiu.


Parei em uma lojinha de cristais. Eu teria vindo até aqui só pra viver aquele momento. Ele não queria me vender cristais, ele queria ter uma conexão humana comigo.

Ele queria me mostrar os cristais novos que chegaram e estavam no quintal, ainda sem lavar. Aproveitei a simpatia e perguntei sobre alguma casa.

Ele largou tudo aberto, exposto na avenida principal, andou comigo até a rua de trás, me mostrou uma vila de casas e como eu poderia procurar a responsável.

Eu queria chorar porque ele pode deixar a loja dele aberta.

Hoje fui ver a casinha, é bem legal e talvez eu more lá. Mas, especialmente, eu more pra sempre na lembrança do que a corretora me disse.

Ao invés de me perguntar sobre renda, perspectivas e etc., ela me aconselhou: “vá pra São Paulo e encerre seus ciclos. Finalize tudo o que puder.

Quando chegar, se dê uma semana para dormir e tomar banho de cachoeira.


Você precisa entrar na frequência daqui. Depois, tudo pode ser. A cidade está crescendo e há oportunidades para todos”.

O que eu vim fazer aqui é acreditar que viver não precisa ser um duelo. Que há amor em cada pedaço de todos os seres, utilizem isso, ou não.

Não sei quanto tempo morarei aqui. E essa é a melhor parte. Pela primeira vez eu sentei em uma sala de espera e realmente esperei, confiando que o que vier, será o melhor.

Não queria ter que ter passado 35 anos sem essa sensação, nem ter que vir até o interior de Goiás pra descobrir isso.

Mas foi assim. Era pra ser assim.

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Mariana Albanese
"Jornalista, produtora e terapeuta em permanente construção. Terapeuta do Deserto é o nome que encontrei para representar meu “eu pensante” em transformação - movimento este que, confesso, não pedi. Mas ao entrar em contato profundo comigo a partir do yoga e depois de outras mil ferramentas de autodesenvolvimento, o processo se tornou sem volta. Compartilho minhas experiências e visão deste despertar, agora aportando na mágica cidade de Alto Paraíso de Goiás.