Sempre quis entender como funcionam as pessoas que fazem retiros punks de autoconhecimento voltam conseguindo fazer as coisas do mesmo jeito que antes.

Voltam de viagens, mesmo que até a ali do lado, sem terem se impactado nem um tantinho.

Tomam ayahuasca e continuam achando o mundo ok e não uma coisa absolutamente sem sentido.

Nos meus primeiros meses neste universo, eu tinha medo de me soltar e não poder voltar atrás. Olhava alguns exemplos de gente fora do giro e pensava: socorro, é ali que eu vou parar?

Me pediam pra silenciar a mente e o que eu via eram exemplos de quem não absorvia uma frase com três informações.

Cheguei a chamar uma pessoa de animal, porque estava no limite da paciência e da pressão interna e ela tinha uma grande dificuldade em lidar numa sociedade que trata de também de ideias, além do corpo.

O que me chamou a atenção nos Terapeutas do Deserto (base do meu estudo / transformação) é que eles eram terapeutas-filósofos. Tinham como premissa cuidar do corpo, do desejo, da espiritualidade e, por fim, do outro.

Dançavam aos sábados, e há 2 mil anos já aceitavam mulheres no grupo.

Meu primeiro ano neste universo foi de uma luta intensa. De ver tantas filosofias, tanto conhecimento e nenhum espaço para questionamentos, reflexões.

Eu já desconfiava, e hoje visualizo claramente a confusão que se faz entre silenciar a mente e o se apartar do mundo evitando estar ativo intelectualmente nele.

O autoconhecimento e o trabalho corporal muitas vezes são fugas para fragilidades e dores. Então, por favor, eles nos pedem: “não me faça pensar. Não me faça olhar criticamente o universo em que eu me escondi. Se eu iluminar minha caverna não terei mais para onde ir”.

Meu sonho, hoje, é silenciar minha mente. É calar a boca de um eu-falante que comenta a vida como um narrador de futebol. Meu sonho, também, é ter a capacidade de raciocínio claro, aquelas ideias que vêm sem projeções, expectativas. Aquela luzinha que se acende no topo.

E isso consigo, sim, mergulhando no corpo. Quanto mais conectada a ele, mais inteligente eu fico.

Mas cada um que siga sua estrada.

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"Jornalista, produtora e terapeuta em permanente construção. Terapeuta do Deserto é o nome que encontrei para representar meu “eu pensante” em transformação - movimento este que, confesso, não pedi. Mas ao entrar em contato profundo comigo a partir do yoga e depois de outras mil ferramentas de autodesenvolvimento, o processo se tornou sem volta. Compartilho minhas experiências e visão deste despertar, agora aportando na mágica cidade de Alto Paraíso de Goiás.